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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Zohar, Emor

setembro 20, 2018artigo, baal hasulam, pesach, pessach


Eu ouvi em Pêssach Inter 4, 18 de Abril de 1949

No Zohar, Parashat Emor, está escrito: “A ‘Knéset Yisrael’ (Assembléia de Israel) disse, 'Eu durmo no exílio do Egito’” (Zohar, Emor, p.43).

A partida dos Môchin é chamada de “sono”. “E meu coração está desperto.” O coração representa os trinta e dois caminhos da sabedoria. Isto significa que Chochmá (Sabedoria) estava brilhando neles, mas sem a veste de Chassadim (Misericórdia), e isso é chamado de “o exílio no Egito” 23. Por esta razão é chamado de “sono”. Mas, ao mesmo tempo, eles foram dignos de receber Môchin de Chochmá, mas sob a forma de Achoraim (Posterior).

Ouça! Meu amado bate à porta! Este versículo refere-se à voz de ZA, que é considerado Chassadim. E é isto o que o Criador disse: “Abra para Mim uma abertura do tamanho da ponta de uma agulha.” Isso significa que, durante a redenção, Ele havia dito para eles que voltassem a extrair o discernimento de Chochmá. E quando se faz isto sem Chassadim, esta abertura é chamada de “a ponta de uma agulha”, já que não pode brilhar sem Chassadim.

E o versículo: “E abrirei para vocês os Portões Superiores” refere-se à concessão do discernimento de Chassadim para que, assim, tenha a Shefá (Abundância): Chochmá e Chassadim.

“Abra para Mim... pois a abertura pela qual se entra em Mim está em você, pois Meus filhos não entrarão em Mim, mas em você”. Isto significa que Ele não pode dar aos filhos, que precisam Môchin de Chochmá, já que seu discernimento é apenas Chassadim. No entanto, quando extrair Chochmá, será possível que os filhos também recebam Chochmá. Por isso, considera-se que somente ela pode criar esta abertura, enquanto “Eu estou fechado para que não possam Me encontrar”, que significa “que não Me encontrarão em plenitude.”

Quando ZA tem apenas Chassadim, ele tem apenas VAK, e é chamado “apenas ar.” Entretanto, quando ele tiver Chochmá também, mesmo que então receba apenas Chassadim, seu Chassadim é chamado “Ar puro.” Isto porque, então, seu Chassadim é melhor do que Chochmá, ainda que, sem Chochmá, ele não possa estar completo e pleno.

Este é o significado das palavras: “Para unir-me a Ti e estar sempre em paz Contigo. Venha e veja, quando o Criador matou os primogênitos do Egito, todos aqueles que Ele matou à meianoite, diminuindo os degraus do Alto para baixo.” Isto se realiza por meio da correção da Massach de Chirik, que causa dois discernimentos: a partida do GAR, e a medida de Chassadim, onde, através deste Hitkalelút (heb: Integração), é possível expandir os Môchin do Alto para baixo.

“No momento em que Israel alcançou o pacto do santo sinal, (seus filhos) foram circuncidados.” A “praga dos primogênitos”, o “sangue de Pêssach (Páscoa Judaica)” e “o sangue da circuncisão” são todos um só discernimento. É um conhecido segredo de que o Deus de Israel era um cordeiro. Isso significa que o sacrifício de Pêssach era dirigido ao seu Deus.

A Klipá de Egito consistia em que desejavam estender (as Luzes) para si e extrair (as Luzes) do fim da correção, assim como no pecado da Árvore do Conhecimento, queriam estender para si a Luz de GAR, de Cima para Baixo. E, através da matança de Pêssach, mataram GAR de Chochmá; isto estava representado na praga do primogênito.

O primogênito é considerado GAR, e eles cancelaram o GAR. Isto ocorreu utilizando o Massach de Chirik, e isto é considerado elevar a fechadura, o que provoca o cancelamento do GAR.

A palavra “Dam” (Sangue) vem da palavra Dmamá (Silêncio), (e sugere) que mata o GAR. Este é o significado do sangue da circuncisão. O cinzel são os Dinim de Nukvá, e os Dinim revogam os Dinim de Dechurá, como está escrito: “havia dois tipos de sangue: o sangue de Pêssach e o sangue da circuncisão.” Ao rejeitar o sangue de Pêssach, o GAR foi cancelado e ocorre o Hitkalelút no Tikún das linhas. Este é o significado do lintel e das duas Mezuzot.

E no quarto...e (os filhos de) Israel partiram da outra autoridade, e se uniram com um nó santo dos Matzot. O pão levedado representa o Môchin que se expande do Chazê para baixo, momento em que brilham de Cima para Baixo. E o Matzot representa o Môchin que brilha do Chazê para Cima, ou seja, um discernimento em que não há apoio para os de fora. E a razão é que a fechadura que apareceu durante a noite de Pêssach, pela qual houve a matança de Pêssach e a praga do primogênito, opera somente de si mesmo para baixo. Isto significa que foi revelado no Chazê.

Sobre o que acabamos de ver, concluímos que nada disso funciona com os Dinim (Juízos). No entanto, não é assim do Chazê para baixo, uma vez que toda a expansão está abaixo de seu próprio discernimento. Por isso, o juízo ali é sentido, e é por isso que Israel foi cauteloso ao comer Matzot na noite de Pêssach, em vez de pão levedado.

Há um mérito no Matzot, que não existe no pão levedado, e há um mérito no pão levedado, que não existe no Matzot. O mérito do Matzot é que ele representa os Môchin completos, GAR de Chochmá, que ainda são considerados “as duas grandes Luzes.”

Entretanto, eles estão na forma de Achoraim, já que não podem brilhar porque falta Chassadim.

E o mérito do pão levedado é que, embora represente apenas VAK, já está vestido dentro de Chassadim. No templo, onde havia Môchin de Chochmá, também estavam sob a forma de “do Chazê para Cima”, considerado Matzot. Por isso está escrito: “porque não farão levedura, nem mel, fumaça como oferenda.”

23 Nota do tradutor: Estamos nos referindo ao exílio dos Israelitas no Egito.

Rav Yehuda Ashlag (Baal HaSulam)
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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Sobre o Êxodo do Egipto

setembro 19, 2018artigo, pesach, pessach, rabash



Disseram nossos sábios que a história do êxodo do Egipto deveria ser dita numa conduta de pergunta e resposta. Aquele que não tem ninguém que lhe pergunte pergunta a si mesmo "O que mudou," etc.

Devemos interpretar isto. "História" vem das palavras, "os céus contam." O êxodo do Egipto significa a libertação e redenção das Klipot [cascas/conchas] e do Sitra Achra [outro lado], ou seja para invocar a redenção e a propagar. Esta questão é considerada "os céus contam," ou seja que quando uma pessoa se remove a si mesma de toda a mundanidade, ela consegue dizer o louvor pelo Criador.

Todavia, em prol da pessoa subir aos céus, seu trabalho é na conduta de pergunta e resposta. Este é o significado dos filhos questionarem, dado que Banim [filhos] significam Havaná [entendimento] e razão e intelecto e eles lhe perguntam.

Aquele que não tem filhos - cuja mente e razão não têm filhos porque ele é puro na sua razão e qualidades - deve ele mesmo evocar as perguntas, como interpretou nas palavras de nossos sábios, "Eu desperto o amanhecer e o amanhecer não me desperta a mim."

"O que mudou esta noite em comparação a todas as outras noites?"

"Noite" significa o corpo, que é considerado "carência" e "escuridão." "Dia" significa a alma, que ilumina o corpo. Nessa altura, ela pergunta, "Como é que o seu corpo mudou em relação ao resto dos corpos das nações do mundo?" "Pois em todas as outras noites," os corpos comem aquilo que querem sem quaisquer escrutínios. Em vez disso, o que quer que seus corações desejem, eles dizem que é a seu favor. Mas nesta noite, meu corpo está limitado tanto no pensamento como desejo.

A explicação é, "Nós fomos escravos... e Ele nos libertou." Ou seja, especificamente através destas limitações nós seremos capazes de sair do exílio. Precisamente vendo as mudanças e subidas e descidas cada vez, ao lutar, um lugar de oração desperta. Depois as palavras "E os filhos de Israel suspiraram do trabalho e seu clamor subiu" se tornam realidade. Se o exílio for revelado na totalidade, então começa a redenção.

Isto nos mostra a ordem do exílio e redenção que tomou lugar no Egipto nessa altura e esta é a ordem que devemos derivar até ao fim da correcção.

Baruch Shalom HaLevi Ashlag (O Rabash)
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Vem ao Faraó

setembro 19, 2018artigo, pesach, pessach, rabash

Bô, Tav-Shin-Mem-Alef, Janeiro de 1981

"E o Senhor disse para Moisés, 'Vem ao Faraó, pois Eu endureci seu coração e o coração de seus servos, para que Eu possa colocar estes sinais Meus dentro dele.'"

Devemos entender o seguinte:

1) A pergunta no Zohar: Por que não diz "Vai ao Faraó"?

2) A pergunta que as pessoas fazem, Por que precisou o Criador do consentimento de Faraó para tirar para fora o povo de Israel?

3) A pergunta que as pessoas fazem, Por que Ele lhe negou a escolha?

4) O motivo de "Eu colocar estes sinais Meus dentro dele." Se o Criador quiser fazer sinais, por que teve Ele de fazê-lo afligindo Faraó através das pragas? Ele poderia ter feito sinais de maneiras diferentes que não prejudicassem Faraó.

Para explicar tudo isto, primeiro precisamos trazer as palavras de nossos sábios, "Uma pessoa sempre se deve ver a si como metade culpada, metade inocente. Se ela realizar um Mitsvá [mandamento], feliz é ela, pois ela se sentenciou para o lado do mérito" (Kidushin 40b).

Isto é desconcertante: Se ela já se sentenciou para o lado do mérito, como se pode ela ver uma vez mais como metade e metade? Também, devemos entender, se ela cometeu uma transgressão, ela se sentenciou a si para o lado da culpa, então como podemos dizer posteriormente que ela é metade culpada e metade inocente? Também devemos entender, se ela sabe que ela tem poucos méritos, como é que lhe é ensinado a mentir e fazer a semelhança da falsidade, que é metade e metade?

Também, devemos entender o que disseram nossos sábios, "Qualquer um que seja maior que seu amigo, sua inclinação é maior que ele" (Sucá 52). Se ele é justo por que merece ele o castigo de ter uma inclinação do mal maior?

Devemos também entender o que disseram nossos sábios, "Transgrediu e repetiu? Torna-se como se permitido para ele” (fim de Masechet Yoma). Por que foi feito assim, que se tornasse para ele como se permitido? E também precisamos de entender o que disseram nossos sábios, "Para os ímpios, ela parece um fio de cabelo e para os justos, uma alta montanha" (Sucáh 52). Qual é a verdade?

A questão é que aqui há uma ordem no trabalho do Criador. Porque o Criador quer evitar o pão da vergonha, a pessoa tem de tomar uma escolha - escolher o bem e abominar o mal. Logo, o Criador consegue libertar o povo de Israel do exílio do Egipto se Ele lhes der somente a inclinação do bem e subjugar a má e depois a pessoa não estará em qualquer exílio. Porém, uma vez que o Criador quer que o homem tome a escolha, é necessário que o povo de Israel saia do exílio na pessoa. Isto é chamado "pela sua escolha consciente." Ele deve concordar que o Faraó dentro dele, que é o rei do Egipto, não vai governar o Israel dentro dele.

Faraó vem das palavras "Cabeça destapada," ou seja revelada. Isto é, querendo tudo que tudo dentro dele seja revelado, ou ele, o rei do Egipto, controla o corpo com a qualidade do Egipto, afligindo a pessoa quando ela quer fazer alguma coisa pelo bem do Criador, então quando ele quer revelação, ou seja que tudo seja segundo o seu intelecto, que sua mente entenda que é vantajoso fazer as acções, ele permite ao homem trabalhar. É por isso que Faraó pergunta, "Quem é o Senhor para que eu obedeça à Sua voz?" e "O que é este trabalho para ti?" Com esta voz, ele controla o Israel dentro dele.

Israel significa Yashar-El [direito ao Criador], significando que tudo aquilo que ele faz será directamente pelo bem do Criador, ou seja em prol de doar. Isto é como disseram nossos sábios, "'Não haverá Deus estranho dentro de vós.' Quem é um Deus estranho dentro do corpo do homem? É a inclinação do mal" (Shabat [Sabate] 105b). Significa isto que se ele deve fazer alguma coisa pelo Criador, é estranho para ele realizar tais acções. Isto é o oposto de Israel, que quer especificamente direito ao Criador [Yashar-El].

Logo, em prol de tirar Israel do governo de Faraó rei do Egipto, ou seja concordar tomar uma escolha, para que ele possa fazer tudo em prol de doar, nós precisamos especificamente da luz da Torá, como disseram nossos sábios, "A luz nela o reforma."

Com isto vamos entender por que está escrito "Vem" e não "Vai." "Vem" significa "Vem, nós os dois juntos," para que uma pessoa não pense que ela pode subjugar a sua inclinação do mal sozinha. Em vez disso, como está escrito, "A inclinação do mal o supera todos os dias. Não fosse a ajuda do Criador, ele não a superaria." Assim, a pessoa não deve dizer que ela não consegue derrotar o seu mal, pois ela deve acreditar que o Criador a vai ajudar. Este é o significado de "Vem."

Questiona o Zohar sobre aquilo que disseram nossos sábios, "Aquele que vem para se purificar é ajudado." Ele pergunta, "Com o que é ele ajudado?" e ele responde, "Com uma sagrada alma. Quando a pessoa nasce, lhe é dada Néfesh [alma] do lado de uma besta pura. Se ela for recompensada com mais, lhe é dado Ruach [espírito].” Portanto, cada vez que a pessoa é purificada e supera o seu mal, um grau mais elevado é revelado nela, que é chamado "Torá" ou "a luz da Torá."

Com isto nós vamos entender por que o endurecimento do coração vem até ela e por que tem ela de sofrer se o Criador quer fazer os sinais, sem motivo com o endurecimento do coração. A questão é que quando uma pessoa quer percorrer os caminhos do Criador no caminho da verdade, ela não deve dizer que ela é incapaz por ter muitas iniquidades, uma vez que isto não se trata de ficar na frente do tribunal do alto quando ela é julgada sobre quantos méritos ela tem. Aqui trata-se da pessoa em si, se julgar a si mesma e dizer que ela não consegue fazer uma escolha, uma vez que escolher é entre duas coisas iguais entre as quais ela deve decidir.

Por esta razão, eles disseram que uma pessoa se deve ver a si como metade culpada, metade inocente, uma vez que o Criador deliberadamente fez com que o bem e o mal sejam sempre de igual peso, para que ela possa decidir. Assim, se ela realizar um Mitsvá [mandamento] e decidiu para o lado do mérito, ela torna-se grande.

Nessa altura, eles dizem, "Qualquer um que seja maior que seu amigo, sua inclinação é maior que ele." Por outras palavras, o Criador deliberadamente endurece o seu coração para que ela seja capaz de tomar a escolha novamente, pois em cada escolha, a pessoa ganha as letras da Torá. Portanto, os sinais não são pelo bem do Criador mas pelo bem do homem.

Acontece assim que o endurecimento do coração é somente pelo bem do homem, pois com isto ele será recompensado com as letras da Torá. Embora durante o acto, a pessoa não sinta tudo aquilo que é suposto que ela sinta, quando ela completar o seu discernimento, aquilo que ela fez todo esse tempo é revelado para ela de uma só vez.

Como na alegoria que Baal HaSulam uma vez deu, isto é semelhante a uma pessoa que ganha nada senão zeros. Cada vez, ela vê que ganhou somente zero. Depois da primeira vez, ela tem um zero. Depois da segunda vez, dois zeros e depois da terceira, três zeros, até que ela acumula muitos zeros. Mas no final do seu trabalho, ela ganha um um. Portanto, ela pode ter um zero com esse um, que são somente dez, ou ela pode ter um milhão, ou mais. Sucede-se que cada vez, letras da Torá são adicionadas a ela. Este é o significado "para que Eu possa colocar estes sinais Meus dentro dele."

Baruch Shalom HaLevi Ashlag (O Rabash)
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terça-feira, 18 de setembro de 2018

E Eu Vos Tomarei como Meu Povo

setembro 18, 2018artigo, pesach, pessach, rabash


VaErá, Tav-Shin-Mem, Janeiro de 1980

"E falou [Deus] … ‘Eu sou o Senhor e Eu apareci a Abraão em Shadai [o Todo Poderoso], mas Meu nome, Senhor, Eu não Me dei a conhecer a eles. Portanto, diz aos filhos de Israel, 'Eu sou o Senhor.''" Devemos entender a conexão se Ele não foi revelado para eles pelo nome HaVaYaH [Senhor] e por que foi, portanto, Ele se revelou a ele pelo nome HaVaYaH: "Portanto, diz aos filhos de Israel, 'Eu sou o Senhor.'"

Qual é o motivo para enviar Moisés para os tirar do Egipto? "E Eu vos tomarei como Meu povo e Eu serei um Deus para vós." O que significa que Ele será um Deus somente para o povo de Israel? O que é Ele para as nações do mundo?

Também, sobre aquilo que RASHI interpreta "para os pais," ele explica tudo no versículo.

Devemos interpretar que a ordem das revelações é de baixo para cima e qualquer grau é a causa do próximo grau. Portanto, para os pais, Ele apareceu como Todo-Poderoso, que é ficar contente com pouco, pois a mais pequena revelação era suficiente para eles. Shadai [Todo-Poderoso] significa "Que disse para Seu mundo, ‘ Dai [chega], não te expandas mais.’”

Em relação a isso, isto é relativo somente a indivíduos específicos que conseguem avançar enquanto em dúvida mas que estão num estado de "pois ele deseja misericórdia" e qualquer entendimento e sensação que eles tenham na espiritualidade é suficiente para eles avançarem nos caminhos do Criador. Porém, esta conduta não pode ser dada ao público geral.

Portanto, agora, devido à causa e consequência, há uma revelação no nome HaVaYaH e essa revelação pode ser dita ao público geral para que eles se aproximem do Criador e saiam do exílio no Egipto. É por isso que o texto diz que agora há revelação do nome HaVaYaH, "Diz ao povo de Israel, 'Eu sou o Senhor.'" Posteriormente continua o texto e com isto podemos interpretar aquilo que RASHI interpretou, "E Eu apareci aos pais," ou seja que a revelação para Abraão foi o motivo da revelação do nome HaVaYaH, uma vez que pai e filho são causa e consequência, ou seja que a revelação que os pais tiveram, no nome Deus Shadai, mais tarde foi revelada como o nome HaVaYaH.

Este é o significado das palavras, "E Eu vos tomarei como Meu povo e Eu serei um Deus para vós." A escritura interpreta o significado "para vós" e não para as nações do mundo. Isso significa "e vós sabereis que Eu sou o Senhor vosso Deus," que Eu darei este conhecimento somente a vós e não às nações do mundo.

"Que vos tira de debaixo das aflições do Egipto," ou seja que eles estavam escravizados a Faraó rei do Egipto e não à Kedushá [santidade]. Eu vos tirarei deste sofrimento e vós sereis recompensados com saber que "Eu sou o Senhor vosso Deus."

Este é o significado daquilo que dizemos nas canções: "Todos aqueles que se deleitam no Senhor serão recompensados com muito bem." Significa isto que aqueles que se deleitam numa conduta de ficarem contentes com pouco, chamado Katnut [pequenez/infância] e fiquem felizes com sua parte, mais tarde serão recompensados com muito bem. "Muito" significa Gadlut [grandeza/maturidade], ou seja que se contentar com pouco significa que embora ele precise de muito, todavia se contenta com pouco, esta é a razão para a Gadlut.

Baruch Shalom HaLevi Ashlag (O Rabash)

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Sobre Pêssach

setembro 18, 2018artigo, pesach, pessach, rabash
A filha do Rei em Pêssach é a alma intelectual, uma noite de vigia, um Matzá [pão de Pêssach] guardado. O espírito que é mantido na frente dela é um bom dia, o dia do Shabat [Sabate]. Eles são "Lembrar e guardar," uma vez que ele é Atzilut de Malchut. Na Sulam [comentário da Escada sobre o Zohar], um Matzá guardado e uma noite de vigia se propagam de Malchut (Tzáv, 64-65).

A razão de não comermos Matzot [plural de Matzá] o ano inteiro: Ele explica com uma alegoria sobre um rei que usa seu traje formal somente quando é ungido. Também, cada ano na mesma altura, ele usa seu traje formal, mas somente nessa altura.

Matzot são considerados "duro julgamento," que são Mochin de Achoraim, GAR de Yeniká. Esta é a circuncisão, ou seja que embora seja impossível usar os Mochin [luzes], ainda assim ajuda portanto trazer para fora o AHP dos Kelim da Klipá [casca/concha]. É por isso que isso implica a circuncisão.

Matzot são Mochin de Achoraim que iluminam no tempo da Gadlut [grandeza/maturidade]. Ou seja, durante a Gadlut, quando eles têm Mochin de Aba e Ima, os Mochin de Achoraim não são cancelados. Pelo contrário, a inteira qualidade de Chochmá na no tempo da Gadlut vêm deste discernimento.

Na noite de Pêssach houve somente cortar e não a remoção [fases na circuncisão] e Gadlut significa remover, então como pode haver Gadlut na noite de Pêssach? Ele responde que a remoção é despertar de baixo e a Gadlut da noite de Pêssach veio com um despertar do alto (O Zohar, Bô, 49). Observar os Mitsvot [mandamentos] é guardar a circuncisão.

"Pão da pobreza" - uma vez que é Achoraim e carece de Chasadim (lá).

Baruch Shalom HaLevi Ashlag (O Rabash)
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E Jetro Escutou

setembro 18, 2018artigo, pesach, pessach, rabash


"E Jetro escutou." O Zohar pergunta, Será que Jetro escutou e todas as nações não escutaram? Afinal, está escrito, "As nações escutarão, ficarão zangadas." Porém, Jetro escutou e foi quebrado e todas as nações escutaram e não foram quebradas. Portanto, seu escutar não é escutar.

Devemos perguntar por que Jetro quebrou quando ele escutou a abertura do Mar Vermelho e a guerra contra Amaleque. Ele viu duas coisas aqui: 1) Da parte do Criador, o Criador disse para Moisés, "O Senhor lutará por vós e tu ficarás calado." Sobre a guerra contra Amaleque, está escrito, "E Moisés disse para Josué, 'Escolhe-nos a nós pessoas e vai lutar contra Amaleque.'" Sobre Moisés, está escrito, "Suas mãos eram mãos de fé até o sol se pôr."

Devemos dizer que quando ele saiu do Egipto, eles acreditavam no Criador. Nessa altura, por causa da fé, eles não precisavam de um despertar de baixo. Em vez disso, o Criador lhes disse que deveriam somente continuar a ter fé e o Criador lutaria por vós. O poder da fé é para libertá-lo de todos os problemas.

Isto assim é pois a fé é na realidade um despertar de baixo, como disseram nossos sábios, "Tudo está nas mãos dos céus menos o temor aos céus." Inversamente, a guerra contra Amaleque, que é "como ele vos encontrou no caminho," trazendo heresia ao povo de Israel, como eles interpretaram, "E atacaram os retardatários nas tuas costas," cortando as palavras e as jogando para cima, jogando palavras para cima e dizendo, "Os mandamentos que Tu mandaste ao Teu povo Israel, como é que isto os ajudou?" É assim que o [livro] Siftey Hachamim o interpreta. Por esta razão, a questão depende da fé, que é o significado do temor aos céus e isto está nas mãos do homem. Foi por isso que eles tiveram de lutar.

Baruch Shalom HaLevi Ashlag (O Rabash)
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Dois Trabalhos

setembro 18, 2018artigo, pesach, pessach, rabash

"O fabricante de flechas é morto pelas suas próprias flechas (por vezes o artesão faz uma flecha que mata o próprio artesão) (Pesachim 28a), sobre o fermento de Pêssach, que é pela queimadura. Devemos interpretar que a ordem do trabalho da pessoa em Torá e Mitsvot [mandamentos] quando ela quer trabalhar pelo bem do Criador é que a pessoa tem de lutar e derrotar a inclinação do mal.

Ou seja, é da natureza humana trabalhar onde há benefício pessoal. Mas quando ela vê que nenhum benefício pessoal vai surgir deste trabalho, ela não consegue trabalhar. Em vez disso, ela se queixa e pergunta, "O que é este trabalho para ti?" Ou seja que vais ganhar ao te esforçares?

Quando a pessoa a supera e diz que ela quer trabalhar contra a natureza e doar sobre o Criador, a inclinação do mal vem com um argumento diferente, fazendo a pergunta do ímpio Faraó, "Quem é o Senhor para que eu obedeça a Sua voz?" É possível trabalhar pelo bem dos outros somente onde eu sei que o outro recebe o trabalho.

Porém, quando ela tem dois trabalhos, 1) Ela deve superar e ir contra a natureza e trabalhar não para seu próprio benefício mas pelo benefício dos outros, pelo bem do Criador. 2) Ela deve acreditar que o Criador recebe o seu trabalho.

Estas duas perguntas são as principais no argumento do ímpio. O resto das perguntas que vêm à pessoa são meramente os descendentes destas duas citadas perguntas.

É possível superar estas perguntas somente pela fé, que é acima da razão. A pessoa deve responder ao ímpio que da perspectiva do intelecto, faz sentido perguntar aquilo que ele está a perguntar. Mas acima do intelecto, em fé, quando ela acredita nas palavras dos sábios, esta é a única maneira de ser pelo bem do Criador.

Ou seja, quando a pessoa dá toda sua energia e esforços para o bem do Criador, este é seu único propósito e o mundo foi criado por este propósito, como disseram nossos sábios, "O mundo inteiro foi criado somente para isto" (Berachot 6b), ou seja pelo temor aos céus.

Assim, quando ela responde ao ímpio que ela vai avançar acima da razão, que é contra o intelecto, o intelecto não pode mais fazer quaisquer perguntas porque todas as perguntas são dentro da razão, enquanto que acima do intelecto não há lugar para perguntas.

Assim, quando o ímpio faz as perguntas, lhe é dito que agora é a hora em que eu posso fazer meu trabalho em fé. Por outras palavras, pelo preciso facto de tu estares a fazer uma pergunta e eu responder que vou avançar com a fé e não te dou uma resposta intelectual, este é um sinal para tu saberes que meu trabalho é com fé acima da razão.

Sucede-se que agora tu me fizeste realizar um Mitsvá [mandamento] no sentido que somente agora é revelado a todos que o caminho do Criador é somente com fé.

Com isto podemos interpretar aquilo que disseram nossos sábios, "o fabricante de flechas é morto pelas suas próprias flechas," ou seja que o artesão faz uma flecha que mata o próprio artesão. Significa isto que a mesma flecha com a qual ele quer matar o homem, ou seja a pergunta que o ímpio faz, com isto ele é morto, ou seja com a própria pergunta, ele mata o ímpio, significando que ele responde ao ímpio com a mesma pergunta e o mata.

Portanto, através da pergunta que ele faz, ele assume sobre si o mandamento da fé acima da razão e portanto mata o ímpio, que não lhe quer dar uma mudança para realizar Mitsvot [mandamentos].

Baruch Shalom HaLevi Ashlag (O Rabash)
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Mente e Coração

setembro 18, 2018artigo, pesach, pessach, rabash


A vontade de receber se exprime na mente e no coração. Ao corrigi-la para trabalhar em prol de doar, a pessoa pode receber a abundância superior.

Vamos explicar a vontade de receber no coração. O coração é chamado "desejo e anseio por prazeres." Assim, se uma pessoa conseguir corrigir suas acções de uma maneira que ela consiga renunciar a todos os prazeres no mundo se ela vir que isso não vai produzir qualquer benefício pela glória do Criador, ela é recompensada com receber verdadeiros prazeres pois agora sua recepção não será para seu próprio benefício.

Por intimação, isto está implícito no versículo, "E ele olhou para este lado e para aquele e viu que não havia pessoa e ele atacou o egípcio." RASHI interpreta que ele viu que nada de bom resultaria da sua descendência, ou seja que ele viu que deste egípcio, ou seja desta acção, não haveria benefício.

"Ele atacou o egípcio," não o deixando satisfazer a sua vontade e rejeitando o seu pedido. Isto é chamado "condenar à morte a acção e pensamento desse egípcio," que está incluído no seu coração. Também, o prazer da mente está somente em fazer aquilo que ele entende que está a fazer. Na medida que ele faça coisas que vão contra a sua razão, quando sua razão exige o inverso, seu sofrimento é medido pela medida de resistência à sua mente.

Quando uma pessoa avança acima da sua mente, quando lhe é dada a mente que aprova de todo seu trabalho, ela será capaz de dizer que está a receber tudo em prol de doar, uma vez que da sua parte, ela consegue renunciar à mente.

Nessa altura, ela consegue ser recompensada com a luz da fé, pois ela consegue renunciar porque sua direcção não é para si mesma. A prova disto é que ela faz tudo até se for contra o intelecto. Naturalmente, ela é capaz de receber a luz da fé e pode estar certa que sua direcção é para doar.

Mas quando ela não consegue trabalhar em fé, mas somente onde a mente aprova, ou seja segundo a vontade de receber, ela permanece dentro da Tzimtzum [restrição]. Por esta razão, precisamos de dois trabalhos: mente e coração.

Baruch Shalom HaLevi Ashlag (O Rabash)
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Miketz [Depois]

setembro 18, 2018artigo, pesach, pessach, rabash


Rabi Shimon perguntou, "Até esse evento ter ocorrido com José, ele não era chamado 'justo.' Assim que ele preservou esse aliança, ele foi chamado 'justo' ... E aquilo que ocorreu no fosso anteriormente, eles se afastaram dele e está escrito, 'e eles apressadamente o tiraram do fosso,' ele foi removido dele e foi coroado num poço de água viva."

Interpreta ele na Sulam [comentário da Escada sobre o Zohar] que isto não deve ser desconcertante porque através desta acção, ele foi recompensado com ser chamado de "justo." Portanto, por que o colocaram na masmorra dos prisioneiros? Ele responde que ele estava inicialmente no fosso porque através dele ele subia para a realeza. Está escrito, "e eles apressadamente o tiraram do fosso," ou seja que ele se afastou dele, da Klipá [casca/concha] e foi coroado com um poço de água viva, que é a Shechiná [Divindade] (O Zohar, Miketz).

Nós devemos questionar por que foi necessário primeiro estar na prisão, que é chamado Klipá [casca/concha], em prol de subir para Kedusha [santidade]. Assim que ele foi chamado de "justo," com essa acção ele deveria ter entrado em Kedusha. E todavia, vemos que José esteve no fosso duas vezes - 1) pelos seus irmãos, como está escrito, "E eles o jogaram no fosso," 2) pelo chefe cozinheiro, como está escrito, "e eles apressadamente o tiraram do fosso."

Devemos dizer que um fosso significa prisão, que isso é uma pessoa estar sob o controle da inclinação do mal, quando a pessoa está encarcerada por ela e não consegue sair da sua autoridade.

Ao observar o Mitsvá [mandamento] de honrar o pai, José viu através da iluminação do Mitsvá que ele estava na prisão, uma vez que durante a escuridão era impossível ver a verdade. Mas isso foi somente através dos seus irmãos, que são israelitas. Ou seja, ele viu que estava a percorrer o caminho do Criador, mas o motivo que o fazia trabalhar era o meio ambiente, por ele estar num meio ambiente israelita.

Sucede-se que ele estava encarcerado pelo meio ambiente, ou seja ele tinha de se engajar em Torá e no trabalho por causa do meio ambiente. Quando a pessoa é recompensada com luz maior, ela vê a verdade, que ela não está na prisão de Israel, mas que ela está verdadeiramente nas mãos da Klipá.

O facto de ele ser chamado de "justo" por causa da acção, nessa altura ele viu que fora Potifar que o colocou na prisão e viu que isso era uma verdadeira Klipá. Nessa altura, há lugar para uma oração que o Criador o liberte da prisão.

Quanto mais uma pessoa vê que ela precisa da ajuda do Criador não por luxos mas por necessidades, mais genuína é a oração. Portanto, ela é aceite no alto e o Criador liberta a pessoa do aprisionamento e é recompensada com estar entre os vasos da face da Shechiná [Divindade].

Este é o significado das palavras do Zohar, "O que aconteceu no fosso antes foi removido num poço de água viva," como está escrito na Sulam [comentário da Escada sobre o Zohar], "e eles apressadamente o tiraram do fosso," ou seja que ele se afastou desta Klipá e foi coroado num poço de água viva, que é a Shechiná.

Baruch Shalom HaLevi Ashlag (O Rabash)
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Bô [Vem]

setembro 18, 2018artigo, pesach, pessach, rabash


"Vem ao Faraó, pois Eu endureci seu coração e o coração de seus servos, para que Eu possa colocar estes sinais Meus dentro dele."

Os intérpretes questionaram sobre as palavras, "Eu endureci": Uma vez que o Criador lhe deu o endurecimento do coração, ou seja que o Criador lhe negou a escolha, por que é isto culpa dele? Eles também perguntaram sobre as palavras, "Vem ao Faraó": Deveria ter dito, "Vai ao Faraó," uma vez que "vem" significa "Vamos juntos," ou seja que o Criador irá junto com Moisés.

Para entender o citado, devemos precedê-lo com aquilo que está escrito, "Nossos sábios disseram, 'Uma pessoa sempre se deve ver como meio culpada, meio inocente. Se ela realiza um Mitsvá [mandamento], feliz é ela pois ela se sentenciou para o lado do mérito’” (Kidushin 40b).

Devemos questionar, 1) Como pode uma pessoa dizer que ela é metade... enquanto ela sabe sobre si mesma que tem mais transgressões que Mitsvot [plural de Mitsvá]? 2) "Se ele realiza um Mitsvá," eles disseram que ele se sentenciou para o lado do mérito. Mas eles disseram, "sempre," ou seja que até depois de ele se ter sentenciado para o lado do mérito, ele também se deve ver como metade e metade, como se pode dizer tal coisa se ele já realizou um Mitsvá? 3) Se ele sabe que tem mais méritos que iniquidades, por que deve ele dizer "metade e metade"?

Disseram nossos sábios, "Qualquer um que seja maior que seu amigo, sua inclinação é maior que ele” (Sucá 52a). Devemos questionar por que merece ele tão duro castigo se ele é maior, lhe é dada mais inclinação do mal que é dada a uma pessoa pequena.

A questão é que nossos sábios vêm para nos ensinar no caminho do trabalho do Criador, para nos aconselhar a como sair da autoridade da inclinação do mal. Portanto, eles nos instruíram que a pessoa não deve dizer que uma vez que ela tem poucos méritos e muitas iniquidades, ela não consiga mais decidir que daqui para a frente eu vou percorrer o bom caminho, uma vez que ela está sob a autoridade do mal por ela ter muitos defeitos e poucos méritos e ela conclui que tudo isto deriva de ela nascer com más qualidades e não ter meio de sair do governo do mal.

A escolha que é dada à pessoa, para decidir para o lado do mérito, pertence especificamente a aquele em quem os poderes do bem e do mal são iguais. Nessa altura, é possível decidir para o bem. Mas para aquele cujo mal é maior que o bem, ele não consegue mais decidir.

Disseram nossos sábios sobre isto: "Uma pessoa sempre se deve ver a si como metade culpada," como em "Aquele que é maior que seu amigo, sua inclinação é maior que ele," uma vez que se alguém se torna grande e permanece no mal de antes de ela se tornar grande, ela terá muito bem e um pouco de mal e desta maneira, é impossível tomar uma escolha, uma vez que tal como não pode haver escolha se o mal é maior que o bem, não pode haver escolha se o bem é maior que o mal.

Portanto, aquele que é grande, cujo bem é grande, seu mal deve ser aumentado do alto, para que ele tenha exactamente a mesma medida que o bem. Depois, quando as duas são iguais, pode haver uma escolha.

Portanto se sucede que se uma pessoa vir que seu bem é muito pequeno, ela deve saber que seu mal é também muito pequeno. Embora ela saiba que ela cometeu muitas transgressões, ainda assim deve saber que do alto, o mal nela foi diminuído porque o bem nela foi diminuído, para que ela seja capaz de fazer uma escolha. Quanto às más acções que ela fez, há correcções para isto, através do inferno ou através do arrependimento por temor ou por amor.

Mas em relação a fazer, daí para a frente há correcções que diminuem o mal para que não seja maior que o bem, para que ela seja capaz de escolher.

Portanto, a pessoa sempre consegue escolher, dado que antes de ela realizar um Mitsvá, a autoridade do mal não é maior que a autoridade do bem embora ela tenha muitas más acções. Depois de ela ter realizado um Mitsvá e ter decidido para o lado do mérito, seu mal é aumentado, ou seja que o mal é fortalecido de modo a governar na mesma medida que o bem. Sucede-se que então, também, ela é metade e metade.

Com isto entenderemos o versículo, "Vem ao Faraó, pois Eu endureci seu coração." Assim que Faraó se sentenciou a si para o lado do mérito, dizendo, "O Senhor é justo," ele era grande. Portanto, ele não podia mais tomar uma escolha. Por esta razão, houve uma necessidade para o Criador endurecer seu coração, ou seja aumentar o seu mal, dado que somente desta maneira há espaço para a escolha.

Sucede-se que através do endurecimento do coração, a capacidade de escolher não lhe foi retirada. Pelo contrário, aqui lhe foi dada a possibilidade de tomar uma escolha.

Baruch Shalom HaLevi Ashlag (O Rabash)
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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

E Passa Sobre o Umbral e as Duas Mezuzot [Batentes]

setembro 17, 2018pesach, pessach, zohar

74) "Pois o Senhor passará por lá para castigar." Todavia, tudo é revelado ante o Criador, então por que precisou Ele de ter o sangue sobre o umbral e as duas Mezuzot [plural de Mezuzá]?

75) Está escrito, "E o Senhor viu e rejeitou." Está também escrito, "Depois o Senhor viu que a malvadez do homem era grande na terra." Providência não é vista no alto, excepto quando uma acção dela é vista abaixo. E antes de uma acção ser feita abaixo, a Providência não castiga, excepto com um pensamento de idolatria, que é castigado sem uma acção. E assim que uma acção é feita, a Providência superior desperta. É por isso que tudo depende da acção, para o melhor e para o pior.

76) Todas as ruas do Egipto estavam cheias de ídolos e em cada casa estavam todos os tipos de feiticeiros, que conectam as coroas inferiores abaixo com seus encantamentos e evocam o espírito da impureza entre eles.

77) "E tomarás um feixe de hissopo e o molharás no sangue que está na bacia." O feixe de hissopo é para purificar o espírito da impureza de entre eles e para mostrar a fé completa nas suas casas, nestes três lugares - uma daqui e uma de lá - nas duas Mezuzot, que implicam as duas linhas, direita e esquerda. E aquele no meio, no umbral, implica a linha média. E foi por isso que o Criador passou sobre a porta e não deixou o destruidor entrar nas vossas casas para castigar, uma vez que Ele vê o nome sagrado escrito na porta, que são as três linhas.

78) Se eles implicam as três linhas, por que foi feito com sangue? Isso é porque a cor das três linhas é o branco e o vermelho e o inclusivo é verde. Há dois sangues: um de Pêssach e um da circuncisão quando eles se circuncidaram. O sangue da circuncisão é Rachamim [misericórdia], embora ele seja vermelho e o sangue de Pêssach é julgamento; logo, as cores são irrelevantes aqui.

79) Diz ele, "Assim não é." Eu pensava que o Criador trouxe o sangue de volta para Rachamim, como se fosse o branco entre as cores, como está escrito, "Quando Eu passei por ti e te vi a chafurdar no sangue, Eu disse para ti: 'No teu sangue, vive.'" E embora ele fosse vermelho, ele foi trazido de volta a Rachamim, pois está escrito, "No teu sangue, vive." Assim, isso não é dependente das cores. E foi por isso que ele escreveu na porta nos três lados, um aqui e um lá e um no meio deles, implicando as três linhas.

80) Dois sangues foram vistos: o sangue de Pêssach e o sangue da circuncisão. Estes correspondem a duas Ketarim [plural de Kéter], Sefirot, que foram vistos nessa altura, que são as duas linhas, Chésed e Gevurá. Elas estão frente a uma Keter, incluida nos dois lados escondidos, em Rachamim e Din [julgamento]. Isto assim é porque a linha média em si, Tiféret, é composta de duas linhas, correspondendo aos dois sangues: o sangue da circuncisão - a Rachamim em Tiféret - e o sangue de Pêssach - o Din em Tiféret.

81) Há vários lugares onde o Criador tem piedade dos Seus filhos: Um homem fez uma casa e o Criador lhe disse, "Escreve o Meu nome e coloca-o à entrada da tua porta. E te sentarás dentro da casa enquanto Eu me sento for, à tua porta e zelo por ti." Mas aqui, em Pêssach, Ele disse, "Escreve o segredo da Minha fé na porta," as três linhas nas duas Mezuzot e no umbral, "e te sentarás dentro da tua casa enquanto eu zelo por ti do lado de fora," como está escrito, "E nenhum de vós sairá pela porta da sua casa até de manhã." Está também escrito, "E quando Ele vê o sangue sobre o umbral... e não permitirá o destruidor entrar nas tuas casas para vos castigar." Portanto, o Criador estava a guardá-los do lado de fora.

82) Tal como o nome sagrado, Hey [ה], eles fizeram nessa altura, ou seja três linhas - duas nas Mezuzot e uma no umbral de cima. Isto é semelhante à forma da Hey, que é Malchut. Logo, como o nome sagrado regressou a ser Din sobre os egípcios nessa altura, o sangue regressou a ser Din nessa altura, como está escrito, "E quando Ele vir o sangue sobre o umbral e nas duas Mezuzot." Eles estavam todos marcados de vermelho, implicando Din, para mostrar que embora seja Rachamim para Israel, era Din novamente, para vingar os egípcios.

83) Como ela é acima, também deve ela ser vista abaixo nessa altura. Se é Rachamim, então Rachamim, se Din, então Din. E uma vez que houve Din no alto sobre os egípcios, está escrito, "Molha-o no sangue que está na bacia e atinge o umbral." O sangue implica Din. E está escrito sobre o futuro, "Quem é este que vem de Edom, com vestes carmesim de Bozrá?" ou seja Ele mostrará a todos Din, realizará vingança e depois Suas vestes estarão tão vermelhas como o sangue.

84) Qual é a razão de não serem permitidos fora das suas portas? É que uma pessoa não deve estar na rua quando Din é aplicado à cidade porque quando é dada permissão ao destruidor, aqueles que o magoam são magoados. Assim, aqui, quando Din estava sobre o Egipto, eles não precisavam de estar fora.

85) Precisamente naquele onde encontras Din pelo Egipto, encontrarás Rachamim por Israel, como está escrito, "E Quando Eu vir o sangue, Eu passarei sobre vós." Também aprendemos, sobre todas essas sagradas letras no alto, que tal como há Din nelas, há Rachamim nelas. Tudo é ao mesmo tempo. Está escrito, "E o Senhor castigará o Egipto, punindo e curando," ou seja afligindo o Egipto e curando Israel. O que é, "E curando"? Eles precisavam de curativo da sua circuncisão.

86) Quando os egípcios foram afligidos, Israel estavam a ser curados. Está escrito, "O Senhor passará sobre a porta." Não deveria ter dito, "Passará sobre vós"? Porém, a porta é a porta do corpo, que é a circuncisão que Ele curou.

87) Quando passa a meia-noite, a Chésed superior (de ZA) desperta na sagrada Kéter, Malchut, pois uma não sobe sem a outra, embora a noite seja somente Malchut. Ainda assim, nunca acontece que Malchut fique sem ZA, seu marido. Por esta razão, um castiga e o outro cura - Malchut castiga e ZA cura e tudo ao mesmo tempo.

88) "O Senhor passará sobre a porta," a porta para o corpo, uma vez que ela é a abertura para a propagação de Ruach, dos quais eles nasceram. Até Abraão ter sido circuncidado, ele estava bloqueado de todos os lados; ele não conseguia gerar na santidade. Quando ele foi circuncidado, tudo se abriu nele e ele não estava bloqueado, como antes.

89) "Ele estava sentado na porta da tenda," Uma vez que a Yod foi revelada. Na divulgação da Yod, ele colocou Chésed em Tzedék [justiça]. A Yod no nome Shadai apareceu através da circuncisão, indicando que a Chésed se propaga para Malchut, chamada Tzedék. Esta é a porta do alto e sagrado Tabernáculo, Malchut. E este é o significado do que está escrito sobre a tenda, que ela é Malchut.

Antes de ele ser circuncidado, Malchut recebia somente do lado esquerdo, na forma de Chochmá sem Chasadim, tempo o qual ela está bloqueada de todos os lados porque Chochmá não pode brilhar sem Chasadim. E quando ele foi circuncidado, as Chasadim apareceram nela, a Chochmá nela se vestiu em Chasadim e iluminou em tanto Chochmá como Chasadim. É portanto discernido que uma porta se abriu em Malchut através da circuncisão, para que ela pudesse brilhar e este é o significado de, "Ele estava sentado à porta da tenda."

90) Quando esta Yod apareceu, foi dito a Abraão e abençoado na porta da tenda, que é Tzedék, Malchut foi mitigada em Chésed, ou seja que Chochmá em Malchut havia se vestido com Chasadim, como está escrito, "No calor do dia." O dia é quando Chésed, a parte de Abraão, governa, uma vez que Abraão é uma carruagem para Chésed de ZA. A porta da tenda é Malchut, que foi mitigada pela Chésed de Abraão, uma vez que está escrito, "E o Senhor abençoou Abraão em tudo." Tudo é Malchut que foi mitigada por Chésed através de Abraão, depois da Yod aparecer nele através da circuncisão.

91) "Enquanto ele estava sentado na porta da tenda," como está escrito, "E o Senhor havia abençoado Abraão em tudo." A porta da tenda é Malchut, chamada, "tudo," a décima Kéter. Kéter significa uma Sefirá e, "No calor do dia" significa que tal como lhe fora dada a Sefirá Chésed, chamada "Dia," ele foi recompensado com a porta da tenda. Isto assim é porque Chésed abre a Malchut, chamada, "tenda," para que ela possa brilhar. E quando ele se senta em Chésed, chamada, "dia," ele se senta em Malchut, chamada, "o pé da tenda." Isto assim é porque Malchut não pode brilhar na Chochmá nela sem Chésed e Chésed sem a iluminação de Chochmá em Malchut é VAK sem uma Rosh.

92) "Pois o Senhor passará por lá para castigar os egípcios." Passará por lá significa que Ele passava sobre a sentença das Ketarim que estavam conectadas a outras Ketarim no alto e as libertaram da sua existência. As Ketarim inferiores, às quais os egípcios estavam apegados, estavam conectadas às Ketarim superiores, de Kedusha [santidade], das quais elas recebiam sua vitalidade. E o Criador libertou esses laços e a existência das Ketarim inferiores fora revogada. Foi então que os primogénitos do Egipto foram mortos.

Sucede-se que o Criador transgrediu Seus próprios caminhos quando Ele corrompeu a cascata das Ketarim em prol de passar o julgamento sobre o Egipto e guardar Israel. Assim é: onde quer que esteja escrito, "passa," "passou," ou "passará," isso indica que o Criador transgrediu Seus próprios caminhos na ordem da cascata das Sefirot ora para executar julgamento ou misericórdia. E aqui "passou" significa para passar julgamento. E quando está escrito, "E o Senhor passou ante ele," é para fazer misericórdia.

Zohar Para Todos Vol. 4 - Bô (Vem ao Faraó)


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domingo, 16 de setembro de 2018

O Que Significa que Aquele Que Esteve Num Caminho Longínquo é Adiado para uma Segunda Pêssach, no Trabalho?

setembro 16, 2018artigo, pesach, pessach, rabash

Artigo Nº 30, 1991

Diz o Zohar (BeHaalotcha, Item 66), "Rabi Yosi disse, 'homem, homem' duas vezes. Por quê? 'Um homem que é homem, adequado para a recepção de uma alma elevada, mas se maculou a si mesmo por ter feito se macular.' 'Homem, homem' significa que ele é digno de ser homem, 'ou esteve num caminho longínquo,' uma vez que a pessoa que se corrompe a si mesma é corrompida do alto. E uma vez que ela é corrompida do alto, ela está num caminho longínquo daquele lugar e daquela estrada à qual os descendentes de Israel se agarram. Rabi Yitzhak disse, 'Está escrito, 'Se [qualquer um de vós] se tornar impuro para uma alma ou estiver num caminho longínquo,’ que é o significado da palavra 'ou.'' Disse Rabi Yosi, 'Aqui, quando diz 'impuro para uma alma,' significa que antes ele é corrompido do alto. Mas quando lá diz, 'um caminho longínquo,' isso significa que depois de ter sido corrompido do alto ele caiu para um caminho longínquo, que é o Sitra Achra [outro lado]. Significa isto que ambos serão desprovidos de Kedushá [santidade] no alto e não farão Pêssach quando Israel o fazem'"

Disseram nossos sábios (Shabat 104), "Quando uma pessoa vem para corromper, se abre para ela; quando ela vem para ser purificada, ela é ajudada." Devemos entender o que está aqui escrito, que "quando a pessoa que se corrompe a si é corrompida do alto." Ele não diz que se abre para ela, mas que ela é corrompida do alto." Também, devemos entender por que se abre para ela, uma vez que "o Criador não se queixa contra Suas criações." RASHI interpreta que o Criador não difama Suas criações (Avoda Zara 3), então por que lhe é dada alguma assistência do alto que é prejudicial para o homem? Pelo contrário, ele deveria ter sido assistido, como está escrito, "Aquele que vem para se purificar é ajudado." Se não lhe é dada ajuda para seu benefício, pelo menos não deveriam fazer no alto uma acção que seja danosa para ele.

Há certamente muitas explicações na literal, mas devemos interpretar isto no trabalho. É sabido que quando uma pessoa observa Torá e Mitsvot [mandamentos/boas acções] na conduta do público geral, ou seja recebendo recompensa e não presta atenção ao problema da direcção de doar, ela vê que cada dia ela avança no trabalho, uma vez que isto é a verdade. Na prática, tudo aquilo que a pessoa faz fica registado no seu nome e nesse estado chamado Lo Lishma [não pelo Seu bem], a pessoa não pode ver que isso é Lo Lishma, ou seja ela não consegue ver que há uma questão de defeito aqui, que deveria ser Lishma [pelo Seu bem], enquanto ela trabalha em Lo Lishma. Em vez disso, as coisas que ela faz no geral iluminam para ela.

Como resultado, a pessoa não consegue ver qualquer defeito em si mesma. Ou seja, em termos do público geral, há uma correcção que as coisas que ela faz iluminam para ela como Luz Circundante, que é uma correcção no nível das acções. Assim, a pessoa deve ser cuidadosa para não se descuidar na prática da Torá e Mitsvot, até se for só uma acção sem qualquer intenção. Ou seja, até se a pessoa fizer suas acções por coação, ainda assim isso é considerado uma grande coisa.

Portanto, pessoas que ainda não conseguem trabalhar com a direcção de doar têm uma correcção que elas não encontram qualquer defeito nas coisas que elas fazem, para que fiquem felizes com o seu trabalho, como está escrito, "Serve ao Senhor com alegria." Respectivamente, quando um pensamento e desejo vêm até à pessoa e ela começa a sentir que deve haver a questão da intenção na observação da Torá e Mitsvot e ela desperta para agir não em prol de receber recompensa, mas em prol de doar, então começa uma nova ordem.

A ordem é que nessa altura, a pessoa transita para trabalhar na esquerda, quando ela começa a criticar as suas acções, se elas são em prol de doar e ela entra no trabalho chamado Tuma’a [impureza] e Tahara [pureza]. Significa isto que ela começa a trabalhar sobre a purificação dos Kelim [vasos].

É impossível trabalhar na pureza antes de sabermos o que é Tuma’a. Ou seja, não é suficiente que esteja escrito que há a questão de Tuma’a, mas a pessoa tem de sentir que perdas a Tuma’a lhe causa, que perde ela ao saber que está corrompida, ou seja o que ganharia ela se ela não fosse impura e que perde ela agora que foi corrompida.

Por outras palavras, embora antes de ela ter começado o trabalho da doação ela soubesse que havia a questão da impureza e pureza, ela não sabia por que a impureza era má e a pureza era boa. Portanto, a pessoa se deve engajar no reconhecimento do mal, ou seja tentar perceber que a vontade de receber para si mesmo é chamada Tuma’a. Isto é, esta Tuma’a remove-a da Kedushá [santidade], ou seja do Criador, como está escrito, "Tu serás sagrado, pois Eu o Senhor teu Deus sou sagrado." Significa isto que tu serás removido, ou seja que tal como o Criador dá, também o homem deve tentar fazer todas suas acções serem com a qualidade de doação e isto é chamado Kedushá. O oposto disto é chamado Tuma’a.

A pessoa deve pedir ao Criador para ajudá-la a perceber o mal que se encontra na vontade de receber para si mesmo, ou seja que o Criador a ajude a sentir a perda que a vontade de receber para si mesmo lhe causa e quanto ele ganharia se tivesse o poder do desejo de doar. Por outras palavras, grande Tuma’a ou pequena Tuma’a e grande Kedusha ou pequena Kedusha não são medidas pelo tamanho da Tuma’a ou Kedusha, mas pela medida de danos que a Tuma’a trás e a medida de importância que a Kedushá trás, ou seja quanto ele sofre quando sabe que é impuro e quanto prazer sentiria quando soubesse que está em Kedusha.

Segundo o citado, devemos interpretar aquilo que questionávamos sobre aquilo que nossos sábios disseram, "Aquele que vem para corromper, se abre para ele." Perguntávamos, "O Criador não se queixa contra Suas criações," então por que é que "se abre para ele"? Isto implica que lhe é mostrado que ela pode entrar ainda mais em Tuma’a, ao passo que antes de ele ter ido corromper, o lugar de Tuma’a estava fechado e somente quando ele foi corromper se abriu para ele. Do alto, deveria ter havido misericórdia sobre essa pessoa, como está escrito, "E Suas misericórdias estão sobre todas Suas acções."

Devemos interpretar o significado de "Aquele que vem para corromper." Significa isso que aquele que quer começar o trabalho da doação não pode trabalhar em prol de doar a menos que ele conheça a perda de trabalhar em prol de receber, que é o por quê de ele agora vir a conhecer a medida de mal que existe na vontade de receber para si mesmo, ou seja qual é a medida de mal que se encontra na vontade de receber, que é chamada Tuma’a, que é o oposto de Kedusha. Ele pede ao Criador para o deixar conhecer a medida de mal que se encontra na vontade de receber que é chamada "impura," ou seja impura para a alma. Quando ele pede ao Criador para o ajudar, a resposta para isto é "se abre para ele" para ver o mal que existe na Tuma’a da vontade de receber.

Há dois discernimentos: 1) ir para corromper, 2) vendo que ele é já impuro e querer ver mais que ele agora vê. Se ele pedir para ver mais, ele é ajudado do alto, como está escrito aqui no Zohar, "A pessoa que se corrompe a si mesma é corrompida do alto." Por outras palavras, assim que é aberto para ela e ela vê que foi corrompida e ela pede mais, para lhe ser mostrada a verdade - que ela está tão longe de Kedusha - então lhe é mostrada a perda que se encontra na vontade de receber para si mesmo. Isto é considerado chegar a um estado de "reconhecimento do mal". Nessa altura, uma necessidade nasce nela, chamada um Kli [vaso] que o Criador a ajude e lhe dê a pureza, como está escrito, "E Eu salpicarei sobre ti água pura."

Com isto podemos interpretar aquilo que questionávamos, Por que diz o Zohar, "Uma pessoa que vem para se corromper a si mesma é corrompida do alto"? Afinal, o Criador não se queixa contra Suas criações! A resposta é que ser corrompido do alto é uma ajuda, ou seja que ela é assistida do alto para ver a verdade de como a vontade de receber é má e impura, uma vez que agora ela pede esta ajuda porque ela quer ver a verdade sobre o que é o mal.

Respectivamente, devemos interpretar aquilo que Rabi Yitzhak pergunta sobre Rabi Yosi, que diz sobre o versículo, "Se um homem, homem, for impuro para uma alma ou estiver num caminho longínquo," esse caminho longínquo é também considerado Tuma’a, mas quando ele é corrompido do alto isso se chama "um caminho longínquo." Está escrito, "ou estiver num caminho longínquo," significando que isso são duas coisas, ou seja que num caminho longínquo não é Tuma’a. Rabi Yosi explica, "Quando lá diz, 'impuro para uma alma,' isso significa antes de ele ser corrompido do alto. E aqui, quando diz, 'num caminho longínquo,' isso significa depois de ele ter sido corrompido do alto e ter caído num caminho longínquo, que é o Sitra Achra."

Nós devemos interpretar que há dois discernimentos em Tuma’a na conduta do trabalho: 1) Aquele que vem para corromper, ou seja vem para ver se a vontade de receber é Tuma’a, ou seja que ela inflige a estupidez do coração. Nessa altura, se abre para ele ver o mal. Mas antes da pessoa vir para corromper, ou seja para ver o mal nela, há uma correcção do alto que a pessoa não consegue ver o mal, uma vez que há uma regra que não é mostrado à pessoa mais que ela consiga corrigir em si mesma. Isso é como na corporalidade, quando não é dito à pessoa a sua verdadeira doença se a doença for incurável.

Por esta razão, precisamente aquele que vem para corromper, que quer ver a verdade, se abre para ele. Se ele quer avançar e ora para lhe ser mostrada a verdadeira medida do mal que se encontra na vontade de receber para si mesmo, ele é assistido do alto, ou seja que ele é corrompido do alto. Isto é, lhe é mostrado do alto os danos de Tuma’a. Nessa altura, ele começa a orar do fundo do coração que o Criador lhe dê o desejo de doar em vez da vontade de receber que ele tem por natureza e para lhe ser dada uma segunda natureza, que é um presente do alto.

Com isto devemos interpretar o que está escrito, "Significa isto que ambos serão desprovidos de Kedushá [santidade] no alto e não farão Pêssach quando Israel o fazem." Por outras palavras, tanto quando a pessoa está no primeiro estado, quando ela vem para corromper e quando ela está no segundo estado, quando ela está num caminho longínquo, quando lhe é mostrado do alto quão longe ela está de Kedusha, ela não consegue fazer Pêssach quando Israel o fazem.

Nós devemos interpretar que "Israel" significa que ela já está na qualidade de "Israel," ou seja que ela já está num estado de  Yashar-El [direito ao Criador], implicando que todas suas acções são direccionadas direito ao Criador. Isto é considerado estar na linha direita, que é pureza, ou seja pureza dos Kelim, quando todas suas acções são pelo bem do Criador. Isto é chamado Lishma, como foi dito, "Rabi Meir diz, 'Aquele que aprende Torá Lishma, os segredos da Torá são revelados para ele." Devemos interpretar queq uando a pessoa é recompensada com a qualidade de "Israel," é esta a hora de fazer a oferenda de Pêssach. Israel significa pureza e quando a pessoa é purificada, esta é a hora de sacrificar a oferenda para o Criador, onde sacrificar a oferenda é considerado plenitude.

Isto é como está escrito no Zohar (VaYikra, Item 109), "Rabi Yehuda começou e disse, 'Serve ao Senhor com alegria.' Se disser que tal é o trabalho da oferenda, isto não é possível. Dado qeu o homem rompeu o mandamento do seu Mestre, o mandamento da Torá e se arrependeu ante seu Mestre, com que face se vai ele levantar ante Ele? Certamente, com o que são eles corrigidos? É por aqueles sacerdotes e Levitas que completam a alegria e cantam para Ele."

Interpreta ele lá na Sulam [comentário da Escada sobre o Zohar] que esta questão será corrigida por uma ordem de três linhas. É por isso que quando falamos da oferenda de Pêssach, que é a questão do êxodo do Egipto, deve haver a intimação no nosso trabalho que primeiro devemos alcançar pureza e depois vem a aproximação e somos recompensados com a Kedusha. Porém, a pessoa deve acreditar que quando ela é desperta para entrar no trabalho, que isso vem até ela do alto, ou seja que ela é aproximada do alto, para que ela tenha conexão com a Kedusha.

Certamente, ela deve estar grata ao Criador por a puxar do estado de humildade e a elevar para o domínio de Kedusha, ou seja que ela começou a sentir que há um lugar mais alto do qual receber sustento, que seu sustento não deve ser como aquele dos animais, mas que ela deve receber sustento do nível "falante". E quanto mais grata ela estiver, mais ela aumenta essa sensação.

Todavia, nessa altura, ela deve saber que ela deve pedir ao Criador para a levantar para um estado ainda mais alto que aquele em que ela agora está, para ser recompensada com a Torá. Ou seja, embora ela retrate para si mesma que o estado em que ela está é muito importante, ou seja que ela não consegue imaginar maior importância no mundo, ainda assim ela deve dizer, "Por muito que retrate meu presente estado como muito importante, ainda assim não consigo retratar a verdadeira importância. Por muito que retrate um estado de grandeza, devo dizer que embora esteja igualmente grato ao Criador quanto pode haver, ainda assim acredito que haja um estado mais alto que aquele em que agora estou e peço-Te para me dares um presente maior."

Com isto devemos interpretar aquilo que está escrito (Salmos 71), "Eu esperarei continuamente," significando que há graus mais altos que aqueles que eu consigo retratar para mim. Embora a pessoa deva saber que tanto quanto ela valorizar o presente estado, ele é verdadeiramente mais importante porque a pessoa não consegue perceber o valor de um minúsculo momento de espiritualidade. Ainda assim, acima da razão, ela acredita e pede isso.

Este é o significado das palavras "Eu esperarei continuamente," ou seja que eu serei capaz de retratar que há mais grandeza que aquela que eu retrato. Este é o significado daquilo que está escrito, "E eu te adicionarei toda Tua glória." Significa isto que embora eu Te louve, eu peço para ser capaz de Te louvar mais que eu consigo e eu quero adicionar à Sua glória.

Porém, quando a pessoa deve reflectir sobre o seu estado espiritual e ela é trazida ante o juiz dentro do seu coração, para que ele dê o veredicto, se a pessoa é culpada ou inocente, ou seja que por vezes, o juiz a absolve por ela não poder pagar as dívidas que ela tem de pagar. Nessa altura, a pessoa precisa de misericórdia. Ou seja, às vezes, o juiz dentro do seu coração pertence aos ímpios, aqueles que condenam seu Fazedor e não a si mesmos. Sucede-se que estes juízes fazem com que a pessoa vá para a prisão dos criminosos contra o Rei, como está escrito (Salmos 107), "Habitantes da escuridão e da sombra da morte, prisioneiros da pobreza e do ferro pois eles se revoltaram contra as palavras de Deus e repeliram o conselho do Altíssimo."

Embora possam ser bons juízes, eles estão a aceitar um suborno. Ou seja, o juiz no seu coração está preocupado com o seu próprio benefício; portanto, ele fica sempre do lado de prejudicar o homem. Depois, a pessoa não tem outra escolha senão pedir ao Criador misericórdia e para lhe dar um verdadeiro juiz. A pessoa vê que não há verdadeiro juiz senão o Criador.

Em relação a isso, devemos interpretar aquilo que disse o Rei David (Salmos 82), "Levanta-te, Ó Deus, juiz da terra, pois Tu herdarás todas as nações," ou seja que o Criador será o juiz. Nessa altura, a pessoa recebe a força do Criador, "pois Tu herdarás todas as nações," pois então a pessoa herda todas as nações no seu coração.

A ordem do trabalho deve se tratar principalmente de uma coisa: trabalhar contra a razão do homem. Ou seja, quando é dito à pessoa que ela deve trabalhar pelo bem do Criador e não para si mesma, isto é contra a razão do homem. Afinal, está escrito, "E vive através deles e não que ele queira morrer." Sucede-se que isto contradiz o propósito da criação, que é fazer o bem às Suas criações.

Podemos interpretar isto através da provação de Abraão. Por um lado, o Criador lhe disse, "pois através de Isaac teus descendentes serão chamados," mas depois está escrito, "Leva agora teu filho, teu único filho e oferece-o como holocausto." Devemos interpretar isto no trabalho. "Teu Ben [filho]" vem da palavra Biná, ou seja Havaná [entendimento]. "Teu único," ou seja o único entendimento que há no homem, que o homem guarda com seu coração e alma para que nenhum mal venha até ele, nomeadamente a vontade de receber para seu próprio bem. "E oferece-o como holocausto," ou seja mata a vontade de receber para seu próprio bem, cancela-a e trabalha somente com o desejo de doar e não com a vontade de receber.

Posteriormente, disse Ele, "Não estendas tua mão contra o jovem." Devemos interpretar que não devemos dizer que ele deve revogar a vontade de receber. Em vez disso, a pessoa deve trabalhar para que ela possa usar a vontade de receber em prol de doar e as partes que ela não consegue direccionar em prol de doar são proibidas de usar. Nós podemos interpretar isto com aquilo que Ele disse para ele, "e Abraão foi e pegou o carneiro no lugar do seu filho." "Carneiro" é chamado Biná, como está escrito no Zohar, onde ele questiona, "Por quê um carneiro e não um chifre"? E ele responde que um carneiro é considerado Biná e um chifre é Malchut. Devemos interpretar que Malchut é "a vontade de receber." Portanto, os vasos de recepção que não conseguimos direccionar para que eles trabalhem em prol de doar são proibidos de usar. Em vez deles, nós usamos os Kelim de Biná, que são chamados "vasos de doação."

Respectivamente, podemos entender que quando uma pessoa sente que ela não está bem, que ela é pecadora, isso não vem até ela por ela ter feito muitas más acções, uma vez que há uma regra, "transgredir e repetir, isso se torna permitido para ela." Assim, muitos pecados não fazem a pessoa sentir a sua culpa. em vez disso, o tamanho do pecado é medido pela sensação do homem de quão longe está ele do Criador. Por outras palavras, na medida que a pessoa sente e acredita no Criador, a essa medida ela sente quão longe ela está do grande Rei.

Significa isto que quando ela sente que é pecadora, ela deve saber que o Criador a deixou sentir um pedacinho, que há um Rei no mundo. Esta sensação, que ela recebeu do alto, a faz sentir que ela é pecadora. Mas quando ela não tem conexão com o Criador, como pode ela sentir que ela pecou ante o Criador e que fez coisas más, que são contra a Torá, quando ela não sabe que há o Dador da Torá no mundo? Em vez disso, a sensação do pecado é segundo a medida da sua fé na grandeza do Rei, a essa medida ela pode sentir a medida do pecado. Significa isto que o pecado é medido naquele que é defeituoso.

Isto é como disseram nossos sábios (Baba Kama, Capítulo 3), "A questão da vergonha é segundo aquele que envergonha e aquele que é envergonhado." Devemos interpretar que se aquele que envergonha for esperto, ele pode saber que se uma pessoa envergonhar aquela que é grande, esse é um grave pecado. Ou seja, se aquela que envergonhar tiver o intelecto para valorizar o tamanho e importância daquele que é envergonhado. Sucede-se que ele cometeu um grave pecado.

Porém, se aquele que envergonha não tiver o intelecto para valorizar a importância daquele que é envergonhado, não se pode dizer sobre ele que tenha cometido um grave pecado e precise de grande expiação pelo mácula que ele maculou em alguém. Portanto, segundo a sensação da grandeza do Rei, também assim é o pecado. Logo, se a pessoa é justa e tem algum entendimento da grandeza do Rei, seu defeito é certamente maior que aquele de uma pessoa vulgar.

Acontece que sempre medimos a importância do Rei que uma pessoa tem segundo a sensação da pessoa. Portanto, se ela sentir que ela pecou, isso deve ser que lhe foi dado do alto alguma aproximação para Kedushá e é por isso que ela sente que pecou. Isso é como disse o Baal HaSulam sobre aquilo que disseram nossos sábios, que o Criador é meticuloso com os justos como com um fio de cabelo, como está escrito, "e, ao seu redor, uma violenta tempestade." Perguntou ele, Por que merecem eles mais castigo que os outros? Ele disse que aquele que é justo, diz que o Criador é meticuloso com ele como com um fio de cabelo. Portanto, quando uma pessoa sente que ela pecou, ela não deve ficar alarmada. Pelo contrário, esse é um sinal que ela está a ser aproximada do alto. Portanto, ela deve superar e assumir sobre si o fardo do reino dos céus e ela terá sucesso.

Baruch Shalom HaLevi Ashlag (O Rabash)
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sábado, 15 de setembro de 2018

Por que o Festival dos Matzot é Chamado Pêssach

setembro 15, 2018artigo, pesach, pessach, rabash


Artigo Nº 13, 1987

Há uma questão: Por que chamamos ao bom dia, que é chamado na Torá "Festival dos Matzot [pão ázimo],” de “Pêssach” (Kedushat Levi, Bo). A resposta é porque está escrito, "Eu sou pelo meu Amado e meu Amado é por mim." Ou seja, nós louvamos o Criador e o Criador louva Israel. É por isso que este bom dia é chamado na Torá, o "Festival dos Matzot." É como se o Criador louvasse Israel, ou seja que Israel e Eu chamamos ao bom dia o nome "Pêssach," como está escrito, "E tu dirás, 'É uma oferenda de Pêssach para o Senhor que passou sobre as casas dos filhos de Israel no Egipto quando Ele castigou os egípcios e poupou nossas casas.'"

Similarmente encontramos na guerra de Midiã (Números 31:2-3), "E o Senhor falou para Moisés dizendo, 'Vinga a vingança pelos filhos de Israel sobre os Midianitas.' E falou Moisés ao povo, dizendo, 'Tragam homens de entre vós para um exército, para que vão contra Midiã para executar a vingança do Senhor sobre Midiã.'" Devemos entender por que disse Moisés que a guerra contra Midiã é a vingança dos filhos de Israel e disse Moisés para o povo o oposto daquilo que o Criador lhe havia dito: Ele disse que a guerra contra Midiã era a vingança do Senhor. Devemos explicar isto da seguinte maneira: O Criador louvou Israel, que é a vingança dos filhos de Israel e Moisés louvou o Criador ante Israel. Foi por isso que ele mudou aquilo que o Criador lhe havia dito.

Porém, devemos também entender o que significa que o Criador louva Israel e o povo de Israel louvam o Criador. Falamos de pessoas de carne e osso, onde cada uma respeita a outra? Pode você imaginar que o Criador precisa de ser respeitado? Eu já disse numa alegoria sobre isto: É como um homem que entra num galinheiro e uma vez que ele escutou aquilo que disseram nossos sábios (Shabat 113a), "Rabi Yochanan chamou a suas vestes 'Meus honradores'" (ou seja que quando a pessoa veste roupas condignas ela é respeitada). Por esta razão, uma vez que ela quer que as galinhas o respeitem, ele usa roupas bonitas. Claramente, qualquer um que o vir fazer isto vai rir-se dele pois que honra pode uma pessoa receber das galinhas?

Respectivamente, como podemos dizer que o Criador quer que O respeitemos e O louvemos? Evidentemente, o Criador não é sequer semelhante à nossa alegoria, uma vez que a distância entre um humano e uma galinha é somente de um grau, pois galinhas são animais e nós somos considerados o falante, mas tudo é corporalidade. Mas que distância há entre nós e o Criador que possamos dizer que o Criador fica impressionado com o nosso louvor e que fora por isso que Moisés mudou as palavras do Criador, que disse, "Vinga a vingança dos filhos de Israel" e ele disse para Israel, "a vingança do Senhor"?

Para entendermos o citado, devemos lembrar-nos do propósito da criação, que - como disseram nossos sábios - é fazer o bem às Suas criações. Em prol do benefício que Ele deseja conceder sobre as criaturas seja completo, ou seja para que não haja vergonha nisso, houve uma correcção chamada "ocultação." Respectivamente, enquanto a pessoa ainda é incapaz de fazer todo seu trabalho em prol de doar, somente quando ela corrige suas acções e sai do amor próprio, a essa medida ela sai da escuridão e entra na luz. Isto é chamado "sair da escuridão para a luz," pois depois todas suas recepções são somente porque ela quer conceder prazer sobre o Criador ao ajudá-Lo a levar a cabo Sua meta, que é doação ilimitada, ou seja um presente sem qualquer vergonha aquando da recepção do prazer do Criador.

Com isto nós vamos entender por que o Criador louva Israel. Ou seja, o Criador quer fazer o bem às Suas criações; é por isso que Ele louva Israel, pois a intenção é beneficiar Israel. Disto, a vontade de receber foi criada nas criaturas, que querem receber em prol de receber. Isto é considerado querer receber por causa do amor próprio, uma vez que devido à vontade de receber que o Criador criou nas criaturas, elas desejam receber abundância em prol de satisfazer a necessidade que o desejo lhes causa, que é o por quê de elas receberem. Isto é chamado "em prol de receber."

Porém, disto advém a separação devido à disparidade de forma. Por esta razão, o povo de Israel assumem sobre si mesmos a Tzimtzum [restrição] - não receber deleite e prazer apesar do seu desejo. Ainda assim, eles não querem receber a menos que saibam que conseguem direccionar a recepção do prazer em prol de doar. Significa isto que uma vez que Ele deseja dar, é por isso que eles recebem a abundância. Mas quanto ao seu benefício pessoal, eles renunciam a todos os prazeres. Sucede-se que o povo de Israel está a louvar o Criador. Ou seja, eles renunciam à sua própria vontade e se engajam somente nos louvores ao Rei, ou seja que aquilo que o Rei quiser, eles também querem.

Foi por isso que o Criador havia dito, "Vinga a vingança de Israel." O Criador disse aquilo que Israel deveriam fazer somente para o benefício de Israel, mas Moisés mudou aquilo que o Criador lhe havia dito, mas isto não é considerado se desviar do propósito de beneficiar Suas criações. Em vez disso, a razão para a mudança também foi para fazer o bem. Adicionalmente, isso não foi por ser impossível para Israel receberem o benefício do deleite e prazer a menos que consigam direccionar suas acções somente para beneficiar o Criador. Isto é considerado que todas suas acções são somente por causa do louvor ao Criador, ou seja devido ao temor pela sublimidade, que é devido à grandeza e importância do Rei.

Todavia, devemos entender por quê o louvor do Criador ser chamado de "Pêssach," segundo o Criador passar por cima. Está também escrito, "e tu o comerás com pressa; é a Pêssach do Senhor." Interpreta RASHI que a oferenda é chamada Pêssach segundo passar por cima e a passagem por cima é que o Criador saltou sobre as casas de Israel de entre as casas dos egípcios. Ele saltaria de egípcio em egípcio e Israel no meio escaparam.

Devemos entender o sentido de saltar e passar por cima no trabalho. É sabido que a essência do nosso trabalho é alcançar Dvekut [adesão] com o Criador, que é equivalência de forma, pela qual nós recebemos Kelim [vasos] que são adequados para a recepção da abundância. É também sabido que nossos Kelim vêm da quebra dos vasos. A quebra dos vasos significa que queremos usar os vasos de recepção em prol de receber e isto é considerado separação do Criador. Isto ocorreu nos mundos superiores e também através do pecado da árvore do conhecimento, quando os Kelim caíram para as Klipot [cascas/peles] e nós devemos elevá-los porque nós viemos dos seus Kelim. Trabalhando com nossos desejos de receber - que vêm de lá - em prol de doar, nós corrigimos cada vez um pedaço destes Kelim, que estão nas Klipot e os elevamos para Kedushá [santidade] ao querermos trabalhar somente com a meta de doar contentamento ao Criador.

Cada vez e cada dia, pedaços das Klipot - chamados "em prol de receber" - são classificados. Eles são corrigidos para que possam ser usados em prol de doar. A ordem é que um pedaço é elevado para Kedushá e depois nós descemos para um estado de recepção novamente e até esquecemos que há a questão de doação. Mas depois recebemos novamente uma subida, pegamos na parte da vontade de receber em nós, a superamos e a corrigimos para trabalhar em prol de doar. Isto se repete cada vez até adquirirmos uma certa medida de recepção que tenha recebido a correcção da doação. A essa medida, haverá lugar para a abundância superior entrar. Este Kli [vaso] é feito ao adicionar todas as subidas que a pessoa teve em um Kli, como está escrito, "Centavo-a-centavo se junta uma grande soma” (Sota 8).

Com isto podemos interpretar aquilo que perguntávamos sobre Pêssach, que disseram nossos sábios, "Ele saltaria de egípcio em egípcio e Israel no meio escaparam." Significa isto que toda a descida é chamada de "egípcio," ou seja que ele recebe tudo por amor próprio. "Israel no meio" é uma subida, quando ele supera e faz tudo em prol de doar e não para seu próprio bem. Esse estado é chamado "Israel." Mas posteriormente ele desce novamente. Sucede-se que ele desce novamente para ser egípcio e assim por diante. "E Israel ... escaparam" significa que ele escapou dos egípcios e se tornou Israel.

Em prol da pessoa ter um Kli completo que consiga receber dentro dele abundância superior, o Criador salta de egípcio em egípcio, ou seja que Ele toma em consideração somente o Israel que está no meio de cada dois egípcios e os junta numa grande soma. É como se não houvesse interrupção entre Israel e Israel. Saltar sobre o egípcio significa que é como se o egípcio não existisse na realidade. Por esta razão, todos os israelitas se juntam numa grande soma até que ele tenha um Kli completo.

Respectivamente, devemos interpretar aquilo que lá está escrito, que Ele saltou sobre as casas de Israel e somente os egípcios foram mortos. É como interpreta RASHI, Ele saltou sobre, ou seja saltou de egípcio em egípcio e Israel no meio escaparam. Significa isto que todos os egípcios foram mortos e somente os israelitas, que estavam no meio, ficaram vivos. O sentido literal é que todas as descidas que estão entre as subidas foram apagadas e somente ficaram as subidas.

Isto é como se eles nunca tivessem tido descidas, uma vez que elas foram apagadas. Este é o significado dos egípcios serem mortos. Assim, agora é possível que todas suas subidas se conectem e se tornem um só estado.

Há muitos discernimentos na vontade de receber que foram corrigidos para trabalhar em prol de doar e se tornarem um Kli completo para a recepção da luz da redenção, chamada "êxodo do Egipto," quando eles foram liberados do exílio no Egipto, escravizados ao amor próprio, chamado a "Klipá do Egipto," como está escrito, "e Ele trouxe para fora Seu povo, Israel, de entre eles, para a liberdade eterna."

Tivessem sobrado as descidas, haveriam interrupções entre cada duas subidas devido à descida no meio. Mas quando as descidas desaparecem devemos olhar somente para as subidas e depois podemos falar do Kli que será adequado para receber a luz da redenção.

Por esta razão, devemos aprender que a pessoa não se deve focar nas descidas, quando ela sempre cai do seu estado espiritual. Em vez disso, ela se deve focar nas subidas. Portanto, quando ela vê que está num estado de humildade, ela não deve desesperar. Em vez disso, ela deve superar acima da razão e subir de novo. Ela não deve olhar para o passado e dizer, "Uma vez que até agora pensava que já entendia que não era vantajoso me focar no amor próprio," ainda assim ela vê que em breve sofre uma descida. Portanto, a pessoa questiona, "Qual é o sentido de subir se tenho de continuar a cair? O que ganho eu com isto?"

Para isto vem a resposta: "E os filhos de Israel suspiraram do trabalho e seu clamor subiu até ao Senhor." Ou seja, houve um despertar de baixo. Depois o Criador matou os egípcios e os israelitas ficaram e se juntaram a uma grande soma, ou seja devido a todas as subidas que eles tiveram uma de cada vez, eles tinham um grande Kli no qual receber a abundância.

Portanto sucede-se que nenhuma boa acção da pessoa se perde. Por esta razão, não devemos dizer, "Como é que as subidas me ajudam se eu as perco imediatamente?" Isto seria verdade se ela pudesse segurar-se a elas daqui para a frente e não descer. Mas foi dito sobre isto, "Quem subirá a montanha do Senhor?" Isto é um discernimento.

O outro discernimento é "E quem se levantará no lugar da Sua santidade?" Para isto vem a resposta, "Aquele que tem limpas mãos e um coração puro," ou seja aquele que foi recompensado com mãos limpas e que não tem mais amor próprio nele, mas que sua intenção é somente doar. "Um puro coração" significa que o seu coração está com o Criador, que a fé está fixada no seu coração. Estas pessoas não têm descidas nos graus de humildade, mas todas suas subidas e descidas são em graus espirituais. Uma vez que devemos alcançar graus completos, chamados NRNCHY de Nefesh e NRNCHY de Ruach, suas subidas e descidas são todas no palácio no Rei e não fora do palácio do Rei e eles não são jogados para o lugar das trevas e da sombra da morte.

Porém, ao mesmo tempo devemos saber que nenhuma subida se perde. Em vez disso, "centavo-a-centavo se junta uma grande soma." Por essa razão, a pessoa deve ficar feliz quando ela sente que a espiritualidade é desejável para ela e ela deseja estar tão perto possível do Criador. Ela considera-o um grande privilégio que um despertar do alto tenha subitamente vindo até ela que ela comece a olhar para o amor próprio como repugnante e pelo qual não vale a pena viver e deseja somente pela espiritualidade.

Todavia, a pessoa deve saber que ela não deve dizer, "Quando eu tenho um despertar do alto, eu começarei a fazer o trabalho sagrado." Em vez disso, o facto da pessoa se lembrar que há espiritualidade, até se ela não tiver desejo por isso, ela já deve estar grata ao Criador por saber que há espiritualidade no trabalho, embora ela não tenha desejo pelo trabalho.

Isto é semelhante a um grande rei que vem a uma cidade mas nem todas as pessoas são avisadas disso. Somente uma mão cheia de pessoas é informada e nem todos são permitidos entrar, mas só alguns poucos escolhidos e também eles, requerem muita persuasão entre os ministros em prol de receberem a licença para entrar.

E esta pessoa foi informada somente que o rei chegou, mas não lhe foi dada uma licença para entrar. Quão grata é essa pessoa para aqueles que a alertaram?

É semelhante aqui. Ela está consciente que há um Rei no mundo, mas ela não foi permitida entrar para servir o Rei. Ou seja, ela sabe e acredita a certa medida que há um Criador no mundo, mas não lhe foi concedida a permissão para deixar o seu trabalho e trabalhar pelo bem do Rei. Isto é, ela não recebeu do alto um desejo para abandonar os seus engajamentos corporais e se engajar na espiritualidade. Essa pessoa deve estar deleitada com este conhecimento, ou seja que ela tem alguma fé no Criador.

Se a pessoa valorizar este conhecimento embora ela não consiga superar e se engajar no serviço ao Criador, ainda assim, a alegria de se lembrar que há um Rei no mundo, consegue levantá-la da sua humildade, admiti-la no trabalho e lhe dar um desejo para superar o seu corpo. Isto assim é precisamente se a pessoa prestar atenção e valorizar esta consciência.

Isto deriva da raiz, como disseram nossos sábios, a Shechiná [Divindade] está presente somente pela alegria do Mitsvá [boa acção/mandamento]” (Shabat 30). Significa isto que a alegria que ela tinha enquanto realizava o Mitsvá lhe causa Dvekut com o Criador, como foi dito acima, "O Abençoado se apega ao abençoado," uma vez que alegria é um resultado de plenitude.

Uma vez que ela valoriza o Dador, Sua importância e grandeza e há uma regra que se o dador do presente é uma pessoa importante, até se ele der um pequeno presente, ainda assim é considerado uma grande coisa. Por esta razão, da consciência que ela acredita que foi alertada do alto que o Rei está na cidade, embora ela não seja permitida entrar e falar com o Rei, uma vez que é evidente que ela valoriza o conhecimento do Rei existir, ela é imediatamente permitida entrar e servir ao Rei. Por eles verem que ela valoriza o Rei, eles a tratam com consideração e força para superar os pensamentos e desejos do corpo.

Respectivamente, nós podemos louvar a alegria. Ou seja, por causa da alegria de ser inspirado com a importância do Rei, lhe é dada do alto uma iluminação que é colocada no Kli da alegria, que lhe é dado de baixo como um despertar de baixo. Isto lhe causa um despertar do alto e lhe é dada permissão, ou seja um desejo e anseio para superar os pensamentos do corpo.

Sucede-se que Pêssach recebe seu nome segundo a passagem do Criador sobre as casas de Israel e deixar todo e cada um de Israel vivo. É sabido que não há ausência na espiritualidade, pois o mais pequeno discernimento em Israel ficou vivo e nada se perdeu. Porque o Criador salvou Israel, este bom dia é chamado Pêssach, segundo as acções do Criador.

E sobre aquilo que perguntávamos sobre o louvor, como se pode dizer que o Criador queira ser louvado e que Ele fica impressionado com o louvor dos de carne e osso, há duas respostas para isto: 1) Em relação à meta, que o Seu desejo é fazer o bem às Suas criações, ou seja que todo o deleite e prazer que o povo de Israel recebem, enquanto eles os recebem, eles direccionam para beneficiar o Criador, ou seja que o Criador desfrute disto porque Ele quer que as criaturas recebam deleite e prazer. E uma vez que elas querem equivalência de forma, quando elas se engajam em Torá e Mitsvot, isso é somente porque elas querem doar ao Criador e não para seu próprio benefício. Isto é considerado o povo de Israel louvar o Criador, que por causa da grandeza e importância do Criador, nós tentamos agradar-Lhe.

O Criador louvar Israel significa que Ele quer dar deleite e prazer, que é o propósito da criação e Ele também quer que não haja vergonha aquando da recepção do deleite e prazer. Por esta razão, Ele quer que eles trabalhem em prol de doar. Sucede-se que Seu louvor a Israel significa a renunciação do amor próprio do povo de Israel e quererem trabalhar somente em prol de doar.

Por esta razão, Ele sempre se foca no seu mérito, ou seja Ele contabiliza o trabalho que eles fazem em prol de doar, para que Ele seja capaz de doar abundância e não haja defeito da vergonha. Ele não fala daquilo que eles fazem em prol de receber; Ele quer apagar isto da face da Terra, como dito na clarificação do nome, "Pêssach," que Ele passou sobre, ou seja matou os egípcios que estavam entre Israel e Israel e poupou o Israel no meio. Naturalmente, Ele podia se ter focado somente no mérito de Israel, ou seja nas subidas que eles tiveram, que é o mérito de Israel, ou seja o despertar de baixo que eles fizeram então na cozedura dos Matzot [pão ázimo].

É por isso que o festival dos Matzot e do povo de Israel foram escritos na Torá, uma vez que o Criador se focou no mérito de Israel enquanto coziam os Matzot pelo bem do Criador e não se focaram noutras coisas. Isto é chamado que os egípcios que lá estavam, Ele matou, ou seja aniquilou-os como se eles não estivessem na realidade. Com isto, todos de Israel se juntaram em um único grande grau, que era inteiro, se tornando um Kli para receber a abundância. Isto é considerado que o povo de Israel chamou a esse bom dia "Pêssach."

Agora podemos entender a segunda razão pela qual o povo de Israel lhe deu o nome em louvor ao Criador. A primeira razão é Seu desejo de fazer o bem às Suas criações e elas não quererem receber por causa do amor próprio. Portanto, elas receberam o deleite e prazer porque Ele quer que nós recebamos. Isto é chamado "em prol de doar" e isto é em louvor ao Criador.

A segunda razão de louvarmos o Criador é que Ele não considerou as descidas e se focou somente nas subidas. Isto é considerado passar sobre, onde Ele tomou em consideração todas as subidas e apagou as descidas da face da Terra. Este é o louvor de Pêssach e é considerado falar em louvor ao Criador.

Devemos entender por que está escrito, "E o comereis com pressa; é a Pêssach do Senhor." Por que é Pêssach chamada "pressa"? Segundo aquilo que RASHI interpreta, Pêssach é chamada de "apressar" porque o Criador saltou e passou por cima de egípcio em egípcio e Israel no meio, escaparam. Podemos ver que saltar até ao fim significa que Ele apressou o fim, como se ainda não tivesse chegado o tempo. Uma vez que ele se apressou, é por isso que Pêssach é chamada "pressa." É como se ele tivesse de se apressar para que os egípcios que estavam entre os israelitas não acordassem, pois ainda não era seu tempo de serem corrigidos. Foi por isso que Ele se apressou e salvou aquilo que conseguiu salvar. Ou seja, só Israel receberam correcção e não os egípcios. Por esse motivo foi chamada de "apressar."

Contudo, está escrito sobre o fim da correcção (Isaías 52:12), "Porque vós não saireis apressadamente, nem ireis fugindo; porque o Senhor irá diante de vós, e o Deus de Israel será a vossa retaguarda. Eis que o meu servo será iluminado; será exaltado, e elevado, e mui sublime." Interpreta o ARI que isto será no final da correcção, até SAM se torna um sagrado anjo e o coração de pedra, que foi proibido classificar antes do fim da correcção e permaneceu nas Klipot, também ele, será então classificado para Kedushá.

Este é o significado de "muito bom." "Bom" é o anjo da vida. "Muito" é o anjo da morte e também ele, será um sagrado anjo. Isto é chamado "A morte será engolida para sempre." É assim que o ARI o interpreta.

Certamente, nós podemos interpretar aquilo que está escrito, "Porque vós não saireis apressadamente, nem ireis fugindo," não como foi na terra do Egipto, quando a redenção foi com pressa e Ele saltou de egípcio em egípcio e Israel no meio escaparam, uma vez que Ele tinha de obliterar os egípcios e só o povo de Israel ficava vivo.

Mas no fim da correcção, quando os egípcios também forem corrigidos, não haverá necessidade de estar com pressa porque não haverá necessidade de saltar de egípcio em egípcio com Israel no meio permanecendo em Kedushá. Em vez disso, todos os egípcios receberão sua correcção do Inteiro. Portanto, não haverá necessidade de apressar, ou seja saltar, mas todos os discernimentos que estavam nas Klipot serão corrigidos, como está escrito, "E Eu removerei o coração de pedra da tua carne e Eu te darei um coração de carne."

Portanto, a pessoa deve estar feliz. Através da alegria ela consegue sair do estado de humildade em que ela se encontra. Se a pessoa perguntar, "O que há para rejubilar quando ela vê que está em humildade e não tem desejo para se engajar em Torá e Mitsvot?" Ela deve receber sua alegria do facto de ela ainda assim saber que há um Rei no mundo. Desta consciência ela pode estar feliz, como na citada alegoria, que ela foi informada que o rei veio para a cidade e isto lhe dá força para subir. 

Baruch Shalom HaLevi Ashlag (O Rabash)
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A Sabedoria da Kabbalah ("recepção" em hebraico) nos ensina a receber e compreender como percebemos a realidade ao nosso redor. Para entendermos quem somos, primeiro precisamos entender como percebemos o mundo que nos rodeia.
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