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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

24 Horas Na Vida De Um Cabalista

janeiro 15, 2020biografia, cabala, Cabalá, Filme, filmes, kabbalah, Michael Laitman, qabbalah


O que se passa na vida de um cabalista contemporâneo num só dia?

Acompanhámos o Rav Dr. Michael Laitman durante 24 horas — de perto e sem filtros — para compreender o que o motiva, como é a sua rotina diária e o que realmente lhe é importante.

Uma jornada sincera e surpreendente pelo mundo de um homem que dedica a sua vida à espiritualidade e à conexão entre as pessoas.
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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Bio: Semion Vinokur

maio 25, 2016biografia


Semion Vinokur recebeu o Prémio da Academia Israelita de Cinema em 1999. Ele realizou e escreveu argumentos para mais de 60 documentários internacionais. Ele escreveu 11 argumentos para longas metragens, produziu 7 documentários e escreveu vários docudramas.

Actualmente realiza o programa de TV "A Luz da Cabala," de mais de 130 programas, que tem uma audiência sem precedentes na TV Israelita.

Seus prémios incluem o Primeiro prémio no Festival de Documentários Internacional de Moscovo, no Festival de Cinema Internacional Carlovy Vary, no festival de cinema Flagstaff International, Primeiro prémio “Magnolia” no festival de documentários Internacional de Shanghai, prémio finalista no Festival de Documentários de Nova Iorque.


Ele foi escolhido de entre 86 realizadores pela família do Primeiro Ministro Benjamim Netanyahu para filmar um documentário sobre a lenda falecida, Yonatan Netanyahu.

O Primeiro Ministro Benjamim Netanyahu, irmão do herói, vendo o filme "Yoni" disse:
"Estou sem palavras; é um verdadeiro testemunho da vida do meu irmão."

Seu documentário emotivo e preenchido por música "Aquilo que o fogo não queima" sobre uma sobrevivente do Holocausto foi adquirido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel para ser mostrado em todas as embaixadas pelo mundo fora.

Fonte
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domingo, 1 de maio de 2016

Assista Ao Filme Que Relata Os Últimos Cinco Anos Com Dr. Laitman Pelo Mundo E Obtenha Um Livro Grátis

maio 01, 2016antissemitismo, atualidade, biografia, blog, cabala, cinema, Documentário, Documentários, espiritualidade, Filme, filmes, hebraico, judaísmo, Judeu, Kabbala, kabbalah, mundo, torá



Claramente, a humanidade nunca pára de se desenvolver. Mas com cada ano que passa o destino final da sua evolução se está a tornar mais e mais ilusório. Poderá haver uma causa raiz de todos os males do mundo contemporâneo? 

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domingo, 11 de outubro de 2009

Rabi Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam) - 1884-1954

outubro 11, 2009baal hasulam, biografia, cabala, história, israel, jerusalém, judaísmo, rav
Rabi Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam) - 1884-1954

Traduzido de: Kabbalah Today issue #3

Rabi Yehuda Ashlag é mais conhecido como Baal HaSulam (Dono da Escada) pelo seu comentário Sulam (Escada) ao Livro do Zohar. O seu trabalho e o seu comentário à Árvore da Vida do Sagrado Ari tornaram-o o principal Cabalista do século XX, assim como um dos maiores Cabalistas de todos os tempos.

Rabi Ashlag passou a sua vida inteira a interpretar e a espalhar a sabedoria da Kabbalah. Os seus inovadores comentários apresentaram um método único para ensinar a Kabbalah, que capacita toda a pessoa a estudar a realidade em que vive, as suas raízes e o seu propósito final.

Baal HaSulam nasceu na Polónia. Aos 19 anos foi ordenado rabino pelos principais rabinos de Varsóvia e durante 16 anos ensinou assim como serviu como juiz de assuntos religiosos. O seu professor de Kabbalah foi o Rabi Yehusha de Porsov.

Em 1921, ele imigrou com a sua família para Israel (então chamada Palestina) e estabeleceu-se na velha cidade de Jerusalém. A sua chegada rapidamente se espalhou entre os Judeus Polacos e rapidamente ficou conhecido como erudito e proficiente na Kabbalah.

Gradualmente um grupo de estudantes se formou ao seu redor. Estes viriam a sua casa nas breves horas matinais para estudar a Kabbalah. Passado algum tempo, Baal Hasulam mudou-se da cidade velha de Jerusalém para outro bairro de Jerusalém, Givat Shaul, onde serviu como rabino do bairro durante vários anos.

Os Seus Principais Trabalhos

Os seus dois principais trabalhos, frutos de longos anos de empenho são O Estudo dos Dez Sefirot, baseado nos escritos do Ari e O Comentário Sulam (Escada) ao Livro do Zohar. A publicação das 16 partes do Estudo dos Dez Sefirot teve inicio em 1937. Em 1940 o seu livro Beit Shaar HaKavanot (A Portaria das Intenções) foi publicado, contendo comentários a selectos escritos do Ari. O Comentário Sulam no Livro do Zohar foi publicado em 18 volumes entre 1945-1953. Subsequentemente, Baal HaSulam escreveu três volumes adicionais nos quais ele interpretou O Novo Zohar. Esta ultima interpretação foi completada em 1955, depois da sua partida.

No seu livro "Introdução ao Livro do Zohar" ele explica porque chamou ao seu comentário A Escada: "Eu chamei à minha interpretação O Sulam, para mostrar que o propósito do meu comentário é como o propósito de qualquer escada. Se você tem um sótão cheio de abundância, precisa apenas de uma escada para lá trepar e toda a abundância do mundo está nas suas mãos."

Baal HaSulam compoz uma série de introduções para preparar os estudantes a adequado estudo da Kabbalah e para explicar o método de estudo. Estes escritos incluem "O Prefácio ao Livro do Zohar," "Introdução ao Livro do Zohar," "Prefácio à Sabedoria da Kabbalah," "Prefácio ao Comentário Sulam," "Um Prefácio Geral à Árvore da Vida," e "Introdução ao Estudo das Dez Sefirot." Estas Introduções cobrem tudo o que os estudantes precisam de saber para maximizar os seus estudos e acelerar o seu progresso para avançar na espiritualidade.

Em 1940, Baal HaSulam publicou um jornal a que chamou A Nação. Nos seus últimos anos, ele escreveu "Os Escritos da Ultima Geração," no qual ele analisou as várias doutrinas diferentes de governo e delineou um plano detalhado para construir uma sociedade saudável.


Promovendo as Suas Ideias


Baal HaSulam não se ficou por colocar as suas ideias no papel. Em vez disso, ele trabalhou arduamente para as promover. Como parte dos seus esforços, ele encontrou-se com figuras proeminentes em Israel tais como David Ben Gurion, Chaim Nachman Bialik, Zalman Shazar e muitos outros.

David Ben Gurion escreveu nos seus diários que se tinha encontrado com Baal HaSulam variadas vezes e que estes encontros o surpreendiam porque "Eu queria falar-lhe de Kabbalah e ele, de socialismo."

Sobre o Homem

Baal HaSulam era um individuo fascinante e complexo: de mente aberta, bem educado e profundamente envolvido nos acontecimentos do mundo em geral e em Israel em particular. As suas visões eram e ainda são, consideradas revolucionarias e vastas na sua ousadia.

Um excerto do jornal Haaretz, publicado a 16 de Dezembro, 2004: "Um dia em Jerusalém do principio dos anos 50, Shlomo Shoham, pais tarde premiado em Israel, autor e criminologista, partiu para investigar o Cabalista Rabi Yehuda Ashlag. ..Ashlag naquele tempo estava a tentar imprimir HaSulam (literalmente, A Escada), a sua tradução Hebraica e comentário ao Livro do Zohar... Sempre que conseguisse reunir um pouco de dinheiro, de pequenas doações, ele imprimiria partes do seu HaSulam. 'Encontrei-o em frente a um edifício em ruínas, quase uma barraca, que albergava uma velha máquina de imprensa. Ele não se podia dar ao luxo de pagar a um tipógrafo e ele próprio estava a fazer a tipografia, letra a letra, em pé sobre a máquina de imprensa horas de cada vez, apesar de se encontrar nos seus sessenta e muitos. Ashlag era claramente um Tzadik (homem justo) - um homem humilde, com uma cara radiante. Mas era uma figura completamente marginal e terrivelmente pobre. Mais tarde ouvi que ele tinha passado tantas horas a topografar que o chumbo do processo de impressão tinha danificado a sua saúde.'"

Levou mais de meio século para que a sua grandeza fosse reconhecida, mas hoje as suas concretizações são bem conhecidas. Em recentes anos, o seu ensinamento atraiu uma grande dose de atenção e centenas de milhares de pessoas pelo mundo fora estudam os seus trabalhos, que foram traduzidos para muitas línguas diferentes. Agora, qualquer pessoa que deseje verdadeiramente trepar para o mundo espiritual consegue facilmente fazê-lo.

Baal HaSulam partiu em 1954, mas o seu caminho foi continuado pelo seu sucessor, o seu primeiro filho, Rabi Baruch Shalom Ashlag.


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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Baruch Shalom HaLevi Ashlag (O Rabash) (1907-1991)

outubro 09, 2009biografia, cabala, disseminação da cabala, história, israel, jerusalém, judaísmo, kabbalah today, rabash, rav
Baruch Shalom HaLevi Ashlag (O Rabash) (1907-1991)

Traduzido de: Kabbalah Today issue #5

Rabi Baruch Shalom HaLevi Ashlag (o Rabash), filho e sucessor de Rabi Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam) era um Cabalista oculto. Apesar do seu elevado nível espiritual, o Rabash era um homem humilde e passava os eu tempo a estudar e a escrever. Ainda assim, é difícil encontrar palavras para descrever mesmo que uma fracção da sua enorme contribuição à nossa geração e às futuras gerações.

A Dourada Linhagem

Em muitos sentidos, o Rabash era o ultimo de uma "linhagem dourada," o elo final numa cadeia de grandes Cabalistas. Esta linha começou com Abraão o Patriarca e terminou com o pai do Rabash, Rabi Yehuda Ashlag, seguindo-se o próprio Rabash. O seu papel nesta linha é talvez o mais significativo para nós, pois ele nos liga a todos aqueles grandes Cabalistas. Com os seus trabalhos, ele adaptou o método da Cabala à nossa geração.

Embora este fosse o vértice da escada espiritual, o Rabash era muito bem relacionado a pessoas simples que simplesmente queriam saber se haveria algo mais elevado do que este mundo poderia oferecer. Devido ao seu alto grau espiritual, o Rabash compreendia porque os que estão entre nós vivendo no final do século XX precisavam de descobrir o segredo da vida. Ele foi capaz de adaptar a sabedoria da Cabala numa linguagem confortável, directa e apropriada para a nossa geração. Ao fazê-lo, ele apresentou-nos a um mundo maravilhoso, eterno e pavimentou o caminho mais seguro para que o alcancemos.

Deixando o Lar

Quando Baruch Ashlag tinha 13 anos de idade, o seu pai decidiu que era a altura de deixar a Polónia e mudar para Israel. Baal HaSulam tinha esperanças de encontrar mais Cabalistas em Israel que se juntassem a ele na disseminação da Cabala. Então, em 1921, a família Ashlag deixou Varsóvia e estabilizou-se em Jerusalém.

Em Israel (naquele tempo Palestina), o Rabash foi ordenado rabino pelo Rabi Avraham Isaac HaCohen Kook, o Rabi Chefe de Israel e Rabi Chaim Sonnenfeld, o Rabi Chefe de Jerusalém e o líder politico e espiritual da comunidade ortodoxa de Israel. O Rabash tinha apenas dezassete anos de idade quando foi ordenado.

O Estudante de Seu Pai

O Rabash sentiu o desejo de descobrir o segredo da vida enquanto muito jovem e perseguiu-o determinadamente. O seu único desejo era tornar-se um estudante do seu pai - o maior Cabalista da geração. Ele queria continuar as pegadas do seu pai e mergulhar no estudo da Cabala. Ele sabia que nada que não a Cabala poderia satisfazer o desejo que ardia no seu coração.

Certamente, assim que o Rabash provou que as suas intenções eram sinceras, Baal HaSulam aceitou-o no seu grupo de estudantes. Para comparecer nas lições de seu pai, o Rabash tinha de fazer em marcha vários quilómetros durante a noite, da cidade velha de Jerusalém à casa de seu pai no bairro de Givat Shaul. Durante o caminho, tinha de se esgueirar aos agentes da estrada e através das barreiras das forças militares Britânicas, que faziam parte do Mandato Britânico (1922-1948) de governar a terra de Israel.

Apesar das duras condições em Jerusalém no início dos anos 30, Baruch Ashlag tinha um forte desejo de se apegar ao caminho de seu pai e nunca falhou uma lição ou acontecimento no qual o seu pai participasse. Ele ficaria colado ao lado de seu pai, acompanhando-o em todas as suas viagens, fazendo recados e servindo-o em toda e qualquer maneira.

Com o tempo, Baruch tornou-se o estudante mais próximo de Baal HaSulam e começou a estudar separadamente com ele. O seu pai ensinou-lhe O Estudo das Dez Sefirot e O Livro do Zohar. Rabi Ashlag também respondia às perguntas do seu filho e preparou-o para o papel que o Rabash estava prestes a desempenhar - disseminar a sabedoria da Cabala às massas na linguagem mais clara e adequada ao nosso tempo.

Eu Escutei

Rabash, um estudante dedicado, escreveu tudo o que ele ouviu do seu pai num bloco de notas que apelidou, Shamati (Eu Escutei). Ele reuniu milhares de anotações documentando as explicações de Baal HaSulam acerca do trabalho espiritual de uma pessoa. No seu leito de morte, o Rabash legou o seu bloco de notas ao seu assistente pessoal e estudante, Rav Michael Laitman, que mais tarde o publicou como livro, com o mesmo nome.

O Rabash foi o estudante de seu pai e assistente pessoal durante mais de trinta anos. Durante todo esse tempo, ele absorveu os ensinamentos de seu pai e o seu espírito de amor pela nação e o mundo no seu todo. Ele embebia o reconhecimento de que iremos receber a redenção completa apenas espalhando a sabedoria da Cabala pela nação e no mundo inteiro. Anos mais tarde, os estudantes do Rabash afirmaram que este espírito tinha sido o seu "cunho" ao longo de sua vida inteira, a mensagem essencial que ele teria legado aos seus estudantes.

Ligado ao Mundo, Porém Isolado Dele

Como o seu pai, o Rabash não queria ser celebrado ou elogiado como Cabalista. Ele recusava aceitar deveres oficiais que lhe eram oferecidos. Em vez de ser reverenciado e um líder a muitos, o Rabash dedicava todo o seu tempo e esforços ao trabalho interno e à preparação de estudantes de Cabala. Estes disseminariam a sabedoria da Cabala e continuariam o caminho de Baal HaSulam com sinceridade.

Internamente, o Rabash estava ligado ao mundo inteiro. Externamente, todavia, ele era um homem isolado. A sua viúva, Feiga Ashlag, testemunha que "Até os nossos vizinhos desconheciam que ele estava a ensinar a sabedoria do oculto."


Mas apesar da sua modéstia, os que buscavam verdadeiramente encontravam o seu caminho até ao Rabash. O seu estudante e assistente, Rav Michael Laitman, diz que entre os que o abordavam estavam rabinos de renome que viriam discretamente à casa do Rabash para estudar a sabedoria do oculto.

No seu trabalho com novos estudantes, o Rabash desenvolveu o seu método único e contemporâneo. Ele escrevia artigos semanais nos quais descrevia em palavras simples cada frase do trabalho interno de uma pessoa juntamente com o caminho para a espiritualidade. Assim, ele confiou-nos um verdadeiro tesouro, um método completo e testado que pode trazer qualquer pessoa à percepção do mundo espiritual.

Estes artigos semanais eram reunidos e compilados numa série de livros chamados Shlavey HaSulam (Degraus da Escada). O Rabash deixou atrás de si muitos grupos de estudo em Israel e noutras partes do mundo. Estes grupos continuam a estudar os seus livros e os de Baal HaSulam. O Rabash venceu onde outros não conseguiram ao nos apresentar a melhor forma de descobrir o aspecto mais profundo da realidade: o Mundo Superior.

Bnei Baruch

Depois da partida do Rabash em 1991, o seu estudante e assistente pessoal, Rav Michael Laitman estabeleceu um grupo de Cabalistas ao qual deu o nome do seu professor - "Bnei Baruch," ou "Filhos de Baruch." O objectivo do grupo é o de continuar o caminho do Rabash e disseminar o seu método às massas.

O Bnei Baruch tornou-se agora um movimento internacional com centenas de milhares de estudantes em Israel e pelo mundo fora. Estes estudantes estudam a Cabala de fontes autenticas e espalham a sabedoria por todos os que desejam aprender, sem qualquer custo adicional.

Rabi Baruch Shalom HaLevi Ashlag era único. Ele era um Cabalista oculto cuja vocação era de educar a nova geração de Cabalistas nutrindo um novo método espiritual que fosse apropriado aos estudantes contemporâneos. Ele estava convencido que se conseguisse adaptar o método da Cabala ao nosso tempo, seria a sua maior contribuição à humanidade.

O Rabi Ashlag também queria promover um futuro luminoso a todas as pessoas do mundo, e ele conseguiu. Tudo o que precisamos de fazer é utilizar este pára-quedas à prova de tudo que ele desenvolveu. Quando o fizermos, seremos recompensados com a revelação da realidade, completa, verdadeira e eterna, descoberta por todo o Cabalista ao longo das gerações.

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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Isaac Luria - o Sagrado Ari (1534-1572)

outubro 07, 2009biografia, cabala, chaim vital, história, isaac luria, israel, jerusalém, judaísmo, kabbalah today, ramak, rav
Isaac Luria - o Sagrado Ari (1534-1572)
Por Eli Vinokur

Traduzido de: Kabbalah Today issue #2

No espaço de mero ano e meio, Isaac Luria (o Sagrado Ari) revolucionou a Cabala e tornou-a acessível a todos. Desde o seu tempo, a sua "Cabala Lurianica" tornou-se a abordagem predominante ao estudo da Cabala


O Rabi Isaac Luria (O Sagrado Ari) foi o maior Cabalista na Tzfat do século XVI, uma cidade a norte de Israel famosa pela sua população Cabalistica. Este foi também um dos indivíduos mais influentes na história e evolução da sabedoria da Cabala.

A vida do Ari esteve envolta em mistério e lendas. Uma tal lenda é a de que quando ele nasceu, foi dito a seu pai que o seu filho estava destinado à grandeza. A partida súbita aos trinta e oito, quando este estava no seu apogeu, permanece um mistério até hoje.

O Ari nasceu em Jerusalém no ano de 1534. Aos oito anos, este perdeu seu pai e a sua família foi deixada desamparada. Levada pelo desespero, a sua mãe decidiu enviar o seu jovem Isaac para ir viver com o seu tio no Egipto, onde ele passou muitos anos até à sua chegada a Tzfat.

Enquanto jovem, o Ari confinaria-se ao seu quarto durante horas ou até dias nessa altura. Ele submergia-se no Livro do Zohar, o mais importante livro da Cabala, tentando compreender as suas subtilezas. Muitos contos descrevem como o Ari recebeu a "revelação de Elias" (uma revelação espiritual única), e de que este teria estudado o Zohar "dele." Para o Ari, O Livro do Zohar representava o mundo inteiro.

Pois Tzfat era a capital de estudos Cabalisticos no século XVI, esta atraia muitos praticantes de perto e longe. Adicionalmente, Tzfat é localizada não muito longe de Monte Meron, o local da sepultura de Rabi Shimon Bar-Yochai, autor de O Livro do Zohar.

No ano em que o Ari deixou o Egipto e foi para Tzfat, um duro inverno assolou o Egipto. Chuvas torrenciais criaram enormes monções num minuto, ventos com a força de tempestades arrancaram telhados dos edifícios e o Nilo transbordava sobre os seus bancos de areia, inundando aldeias inteiras num grande diluvio de agua e lama.

Uma das lendas conta que numa das noites mais tempestuosas deste terrível inverno, o Profeta Elias foi revelado ao Ari. Elias, como clama a lenda, disse ao Ari, "Teu fim está próximo. Parte, sai daqui; leva a tua família e vai para a cidade de Tzfat, onde és avidamente esperado. Lá, em Tzfat, irás encontrar teu discípulo, Chaim Vital. Irás transmitir-lhe tua sabedoria, unge-o para que te siga e ele irá tomar teu lugar." Elias também revelou ao Ari: "Não vieste a este mundo que não para corrigir a alma de Rabi Chaim, pois ele é uma alma preciosa."

Então, no ano de 1570, ao fim do inverno, o Ari foi para Tzfat, na terra de Israel. Ele tinha trinta e seis nesta altura e tinha dois anos para viver.

Sabemos hoje que todos os escritos do Ari foram na verdade escritos por Rabi Chaim Vital, que escreveu tudo o que tinha aprendido do Ari durante os meros dezoito meses em que estiveram juntos em Tzfat

Um Revolucionário e um Cabalista

Os Cabalistas mantiveram a sabedoria da Cabala oculta por 1500 anos antes do Ari. Estes levantariam-se pela meia-noite, acenderiam uma vela e fechariam as janelas para que as suas vozes não pudessem ser ouvidas no exterior. Então estes abririam os livros de Cabala com reverência e mergulhariam neles, esforçando-se por compreender as suas ocultas verdades. Naqueles tempos, a Cabala era um estudo secreto, ensinado perante portas fechadas. Os Cabalistas eram relutantes em publicitar o seu trabalho pois temiam que fosse mal interpretado. "A geração," eles diziam, "ainda não está pronta."

A humanidade tem esperado por séculos pelo guia adequado para abrir as portas da sabedoria da Cabala ao público. Finalmente, com a chegada do Ari a Tzfat e a exposição subsequente do público aO Livro do Zohar, aparentando que esse era o tempo de apresentar os segredos da Cabala às massas.

É extremamente difícil conseguir exagerar a importância e estatura do Ari. Em meros dezoito meses, ele teria deixado um enorme marco na história do pensamento Cabalistico. Além do mais, este deixou um marco sem escrever uma única palavra, pois todo o seu ensinamento foi revelado apenas nos escritos do seu estudante, Rabi Chaim Vital.

Enquanto Chaim Vital, o principal estudante do Ari e único sucessor, escreveu todos os ensinamentos do Ari, ele foi incapaz de publicar todos os seus escritos durante a sua vida. Este trabalhou foi deixado para os seus familiares e estudantes durante os restantes séculos.

Entre os principais escritos que o Rabi Vital publicou foi o livro, Etz Chaim (A Árvore da Vida). Neste livro, Rabi Vital apresenta os ensinamentos Cabalisticos do Ari num estilo claro e simples. Outra publicação notável são os Oito Portais, uma série de oito livros descrevendo - entre outras coisas - o conceito da reencarnação. Muitos outros livros inestimáveis foram preparados da curta estadia do Ari em Tzfat, mas está para além da medida deste jornal descreve-los.

Quando o Ari chegou a Tzfat, este organizou um grupo de Cabalistas que se tornariam conhecidos como "Os Filhotes do Ari." Entre seus membros estavam alguns dos mais ilustres Cabalistas daquele tempo. Rabi Shlomo Elkabetz, compositor da famosa música, Lecha Doddi (Vai, Meu Amado) e o grande Cabalista Rabi Moshe Kordovero (o Ramak) são apenas dois deles.

O Ramak é também visto como o primeiro a reconhecer a grandeza do Ari; ele era não só um estudante do Ari mas também seu amigo. Pouco depois da sua partida, o Ramak disse aos seus estudantes, "Saibam, que há um homem, que se senta aqui, que se irá levantar para além de mim e iluminar os olhos da geração com a sabedoria da Cabala ..nos meus dias, os canais foram bloqueados.. e nos seus dias os canais serão revelados. ..e saibam que ele é um grande homem, uma centelha do Rashbi [Rabi Shimon Bar-Yochai]." Parece que o Ramak destinou que o Ari o sucedesse e instruiu os seus estudantes a aceita-lo como seu professor.

O Ari partiu na idade dos 38 depois de adoecer de uma epidemia que surgiu no verão de 1572. O seu surgimento foi precursor de uma nova era, um estado humano e espiritual. Ele não estava apenas entre os maiores cabalistas, mas também entre os primeiros a receber "permissão de Cima" para revelar a sabedoria da Cabala às massas. A sua habilidade transformou a Cabala de um método para uns poucos escolhidos a um método para todos, tornou-o um gigante espiritual durante décadas. Hoje, muitas mais almas estão prontas para a elevação espiritual e estas precisam do seu método - a Cabala Lurianica, o método que o Rabi Isaac Luria, o Sagrado Ari, planeou.


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domingo, 4 de outubro de 2009

Rabino Shimon Bar-Yochai

outubro 04, 2009biografia, cabala, história, judaísmo, kabbalah today, rav, rav akiva, shimon bar-yochai, zohar

Rabi Shimon Bar-Yochai

Traduzido de: Kabbalah Today issue #1


No segundo século EC, um único homem recebeu o conhecimento espiritual que os Cabalistas reuniram durante 3000 anos antes do seu tempo. Rabi Shimon Bar-Yochai (Rashbi) colocou-o todo em papel e escondeu-o, pois a humanidade não estava pronta para ele. Hoje estamos prontos para a revelação do Livro do Zohar.


Rabi Shimon Bar-Yochai (Rashbi), autor do Livro do Zohar (esplendor) era um Tana - um grande sábio do inicio dos séculos da Era Comum. Ele era também o estudante directo de Rabi Akiva. O nome de Rashbi está ligado a numerosas lendas e ele é mencionado constantemente no Talmud e no Midrash, os textos Hebraicos sagrados do seu tempo. Ele viveu em Sidon e em Meron e estabeleceu um seminário na Galileia Ocidental.

Rashbi nasceu e foi criado na Galileia (uma região montanhosa a norte da Israel de hoje). Mesmo em criança, ele não era como as outras crianças da sua idade. Perguntas como, "Qual é o propósito da minha vida?" "Quem sou Eu?" e "Como é o mundo construído?" atormentavam-o, ordenando uma resposta.

Naqueles tempos, a vida na Galileia era muito dura: os Romanos perseguiam os Judeus e inventavam continuamente novas leis para fazer as suas vidas miseráveis. Entre estas leis havia um decreto que proibia os Judeus de estudar a Torá (então sinónimos com a Cabala).

Apesar das proibições Romanas, todavia, Rashbi submergiu-se na Cabala e tentou compreender os seus ensinamentos subtis. Ele sentia que por trás das histórias Bíblicas havia um sentido oculto e profundo que guardava as respostas às suas persistentes perguntas.

Gradualmente, Rabi Shimon veio a perceber que teria de encontrar um professor que já tivesse atravessado o caminho espiritual, ganhado experiência e que pudesse guiar outros pela escada espiritual acima. Ele decidiu juntar-se ao grupo do maior Cabalista do seu tempo - Rabi Akiva - uma decisão que se tornou uma viragem na vida de Rashbi.

Estudando com Rabi Akiva

Rabi Shimon era um estudante ávido e devotado, fervendo com desejo de descobrir a Força Superior. Durante muito, ele foi um dos melhores estudantes de Rabi Akiva. Ele estudou com Rabi Akiva durante treze anos e alcançou os mais altos graus da escada espiritual.

A revolta de Bar-Kokheva acabou abruptamente com os grandes dias do seminário de Rabi Akiva. Praticamente 24.000 dos seus estudantes morreram nas pragas e em ferozes batalhas com os Romanos. Dos 24.000 estudantes, só cinco sobreviveram e Rashbi estava entre eles.

Rashbi estava entre os lideres da revolta de Bar-Kokheva contra o governo Romano na terra de Israel. A sua resistência tornou-se ainda mais feroz e obstinada quando soube como o seu professor, Rabi Akiva, tinha sido impiedosamente executado.

O Talmud escreve que uma vez, quando Rashbi falou contra o governo Romano, outro Judeu ouviu-o e alertou as autoridades Romanas. Consequentemente, Rashbi foi amarrado na sua ausência e sentenciado à morte. O imperador Romano enviou homens para o procurar, mas para sua frustração, Rashbi parecia ter desaparecido no ar.

A Caverna em Piqiin

Lendas contam que Rashbi e o seu filho fugiram para a Galileia, esconderam-se numa caverna em Piqiin, uma aldeia a norte de Israel e permaneceram lá por treze anos.
Durante esse tempo, mergulharam nos segredos da sabedoria do oculto. Os seus esforços tiveram êxito e eles descobriram o sistema inteiro da criação.

Passados treze anos numa caverna, Rashbi ouviu que o imperador Romano teria morrido. Ele poderia finalmente soltar um suspiro de alivio. Depois de deixar a caverna, Rashbi reuniu nove estudantes e foi com eles para uma pequena caverna em Meron, conhecida como a Idra Rabba (Grande Assembleia). Com a sua ajuda, ele escreveu o Livro do Zohar, o mais importante livro de Cabala.

Baal HaSulam descreveu Rashbi e seus estudantes como os únicos seres que alcançaram a perfeição, os 125 graus espirituais que completam a correcção da alma de cada um.
Quando terminou o seu comentário no Livro do Zohar, Baal HaSulam deu uma refeição comemorativa para celebrar a sua conclusão. Na celebração, ele disse que "..antes dos dias do Messias, é impossível receber todos os 125 graus.. excepto ao Rashbi e seus contemporâneos, ou seja os autores do Livro do Zohar. Eles receberam todos os 125 graus de preenchimento, ainda que tivessem vivido antes dos dias do Messias. Então, iremos encontrar com frequência no Zohar que não haverá geração como a de Rashbi até à geração do Rei Messias. É por esse motivo que esta composição teve tal forte impressão no mundo, uma vez que os segredos da Torá dentro dela ocupam o nível de todos os 125 graus. É também por isso que se diz no Zohar que o Livro do Zohar não será revelado excepto no últimos dias, ou seja nos dias do Messias."

A Idra Rabba (Grande Assembleia) e o Livro do Zohar

Idra Rabba é uma caverna localizada na parte a norte de Israel, entre Meron e Zephath. Rashbi levou os seus estudantes a esta caverna e lá escreveu o Livro do Zohar. Nós pessoas vulgares achamos impossível compreender como o grande Rabi Shimon Bar-Yochai seria verdadeiramente. Ele pertence, como Baal HaSulam o coloca, à mais alta Luz Interna. É por isso que teve de usar Rabi Abba para colocar as suas palavras em escritos. No Livro do Zohar, o Rashbi diz aos seus estudantes: "Estou a organiza-los como se segue: Rabi Abba irá escrever, Rabi Elazar, meu filho, irá estudar oralmente e o resto dos amigos irão conversar com seus corações" (Zohar, Haazinu).

O Livro do Zohar foi escrito no segundo século EC, não muito depois da destruição do Segundo Templo e o início do ultimo exílio do povo de Israel da sua terra. Mas mesmo antes do exílio , Rashbi previu que o Livro do Zohar iria ser apenas revelado no final do exílio . Ele referiu que a sua aparição às massas iria simbolizar o final do exílio espiritual: "..nele, irão sair do exílio com misericórdia" (Zohar, Naso).

Também está escrito no Livro do Zohar que a sua sabedoria seria revelada a todos no final dos seis mil anos, o período alocado à correcção da humanidade: "E quando for próximo dos dias do Messias, até as crianças no mundo estão destinadas a encontrar os segredos da sabedoria e conhecer nelas os fins e os cálculos da redenção e nessa altura será revelada a todos" (Zohar VaYera).

O Segredo da Reencarnação

Rashbi é uma incarnação de uma alma única, que coordena e liga a Força Superior a toda a criação. A sua alma desce a este ao nosso mundo e incarna nos patriarcas da Cabala. Esta é a ordem da sua aparição: Abraão, Moisés, Rabi Shimon Bar-Yochai, o Ari (Rabi Isaac Luria) e Rabi Yehuda Ashlag (Baal HaSulam). Cada incarnação desta alma promove a humanidade a um novo grau espiritual e deixa a sua marca nos livros de Cabala que servem as gerações que se seguem.

Um exemplo deste processo pode ser encontrado em secções especiais do Zohar chamadas Raia MeHeimna (O Pastor Leal). Nestas partes, Rashbi fala de um estado de vestir a alma de Moisés. Outro exemplo disto é o livro, Shaar HaGilgulim (Portal da Reencarnações), onde Rashbi fala de um estado de vestir a alma do Ari.

O Livro do Zohar é sem dúvida único e uma das mais reconhecidas composições do mundo. Desde que foi escrito, milhares de histórias têm sido ligadas ao Zohar e o livro está ainda hoje envolto em mistério. O fascínio à sua volta é tão grande que embora o livro seja completamente incompreensível à nossa geração sem adequada interpretação, milhões de pessoas lêem-o cuidadosamente.

A Partida de Rashbi

De acordo com a tradição, Rabi Shimon Bar-Yochai faleceu na presença de seus amigos em Lag BaOmer (o 33º dia da contagem do Omer, que tem inicio no primeiro dia de Pesach) do ano 160 EC e foi enterrado em Meron. Com a sua morte, a alma de um Cabalista gigantesco completou a sua tarefa no nosso mundo.

Rashbi cumpriu o seu destino. Centenas de milhares visitam a sua sepultura diariamente, tentando sentir alguma Luz que ele tenha trazido ao mundo. Os maiores Cabalistas louvam a sua composição e reivindicam repetidamente que o Livro do Zohar está destinado a trazer a redenção ao mundo.

Rav Kook, o primeiro Rabi Chefe de Israel, escreve acerca do Zohar (Ohr Yakar): "Esta composição, chamada O Livro do Zohar, é como a Arca de Noé, onde haviam muitas espécies, mas aquelas espécies e famílias não poderiam existir a menos que entrassem na arca. ...Então os justos irão entrar no segredo da Luz desta composição de forma persistente e então é a virtude da composição, que imediatamente quando se empenham, com este desejo pelo amor de Deus, irá atrai-lo como um íman atrai o ferro. E ele irá entrar nele para salvar a sua alma e espírito e sua correcção. E mesmo que seja cruel, não há medo caso entre."

Estamos a viver num tempo histórico. A alma de Rashbi está a completar a sua missão na nossa geração e graças a este gigante espiritual, que viveu há cerca de 2000 anos atrás, a sabedoria da Cabala está a emergir para que possamos ascender para uma vida de eternidade e preenchimento.

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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Avraham Isaac HaCohen Kook (1865-1935)

outubro 01, 2009biografia, cabala, disseminação da cabala, história, judaísmo, kabbalah today, kook, rav
Avraham Isaac HaCohen Kook (1865-1935)

Traduzido de: Kabbalah Today issue #9

"Escutem-me, meu povo, Eu falo para vós do interior de minha alma... de dentro daquele sentimento que sinto mais profundamente que todas as minhas sensações de vida, de que vós, são o conteúdo da minha vida..." (O Rav Kook, Seus Aposentos, p. 181).

Rav Avraham Isaac HaCohen Kook, o primeiro Rabi Chefe de Israel, é uma das mais proeminentes figuras da história do povo Judaico. Ele foi um líder espiritual sem precedentes, um pensador brilhante, um grande poeta e um dos principais adjudicadores (ordenador/juiz dos assuntos Judaicos) em gerações recentes.

Mas acima de tudo, o Rav Kook foi um grande Cabalista que dedicou a sua vida a incutir a mensagem de união entre as pessoas. Da elevação do seu a grau espiritual, ele chamou a todo o povo Judaico a se unir e a renovar a ligação espiritual entre as pessoas.

A redenção espiritual do povo de Israel, o laço natural entre as suas facções, era para Rav Kook um pré-requisito para estabelecer o estado de Israel. Ele repetidamente referiu que a redenção da terra viria apenas através do laço entre nós e de que só implementando a sabedoria da Cabala tal façanha seria possível. Nesse respeito, ele escreveu, "Os segredos da Torah trarão a salvação e o regresso do povo de Israel a esta terra" (Orot, p. 95).

Despertando e Criando Laços

"Todo o nosso trabalho é o de unir das diferentes seitas Judaicas e remendar as cismas já presentes entre nós," (Igrot, Parte 4, p. 104).

Em 1903, quando o Rav Kook se mudou para a terra de Israel, a colónia Judaica separou-se entre seitas ou grupos. Cada seita tentou manter o que teria trazido com ela do seu país natal. O Rav Kook não concordava com a atmosfera de separação entre os Judeus naqueles tempos e assumiu uma tarefa quase impossível: a de unir a nação sob um conceito.

O seu elevado grau espiritual revelava-lhe que o regresso dos Judeus à terra de Israel poderia ter feito terminar o seu êxodo físico mas não fez nada para terminar o seu êxodo espiritual - a separação entre os Judeus, que é a raiz de todos os nossos problemas.
Ele tentou acordar-nos para regressar ao grau espiritual que tivemos antes da ruína do Templo, um grau que era expressado através de amor e união.

Ele referiu frequentemente que o segredo do poder da nação Israelita seria a criação de laços entre os seus membros e de que a união e espiritualidade eram na verdade uma apenas. Ele escreveu de que quando nos unirmos, iremos trepar de volta ao nosso grau espiritual, regressando à raiz do nosso ser e viver pacifica e calmamente na nossa terra.

Defendendo o Amor e a Paz

"Eu desejo que o todo da humanidade se conseguisse encaixar num corpo uno, para que os pudesse abraçar a todos," (de uma conversa do Rav Kook com o autor Alexander Ziskind Rabiwitz).

O Rav Kook transbordava de amor pela nação e verdadeiramente pelo mundo inteiro. O seu amor era tão verdadeiro e incondicional como o amor de uma mãe pela sua criança. O seu único desejo era o de criar laços entre todos com este amor; ele sabia que apenas este amor traria verdadeira felicidade e igualdade entre nós.

O Rav Kook explicou que a qualidade do amor é uma qualidade espiritual e de que o único método de a obter é a sabedoria da Cabala: "A sabedoria da verdade ensina-nos a união global... e como avançar com a sua luz sem falhar," (o Rav Kook, Orot Kodesh, Parte 2, p. 393).

O Estudo da Cabala É a Chave

"Agora se aproximam os dias em que todos irão reconhecer e saber que a salvação de Israel e a salvação de todo o mundo dependem apenas do surgimento da sabedoria da luz oculta (a Cabala) da interioridade dos segredos da Torah em linguagem clara," (o Rav Kook, Igrot, Parte 1, p. 92).

O Rav Kook servia em muitos escritórios públicos, mas frequentemente dizia que o seu verdadeiro desejo era o de mergulhar na sabedoria do oculto, pois isto era o mais importante para ele. "O que sinto, o contentamento e prazer ao estudar o oculto...é o meu objectivo primário. Todos os deveres e outras habilidades são secundárias à minha essência," (Névoa de Pureza, p. 31).

Ele aspirava ligar-nos aos segredos da sabedoria da Cabala e frequentemente criticava os que publicamente se opunham à sua disseminação. Ele sabia que apenas aprendendo os seus segredos poderíamos encontrar a felicidade e união. "Nas nossas vidas, precisamos que os segredos se tornem revelados e expostos. Revelando estes segredos iremos conhecer-nos a nós mesmos e iremos saber o que está oculto dentro de nós" (o Rav Kook, Maamarei Raiah, p. 153).

Hoje, muitos anos depois depois de gigantes espirituais como o Rav Kook e Baal HaSulam terem trazido a sabedoria da Cabala ao nosso mundo, o seu conselho é mais pertinente que nunca. Os seus escritos revelam a única forma de mudar-mos o nosso futuro para melhor. Tudo o que precisamos de fazer é abrir os nossos corações e mentes a isto.

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Rav Isaac Avraham HaCohen Kook
ARTICLE: Latter-Day Luminary - Article about Baal HaSulam mentioning his relationship with Rav Avraham Yitzchak HaCohen Kook ARTICLE: Latter-Day Luminary - Article about Baal HaSulam mentioning his relationship with Rav Avraham Yitzchak HaCohen Kook 

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Eu Acredito em Rav Laitman: Memórias de Feiga Ashlag

setembro 23, 2009artigo, biografia, cabala, feiga ashlag, história, mulher, rabash, rav


Eu Acredito em Rav Laitman:

Memórias de Feiga Ashlag, viuva do falecido Rav Baruch Ashlag, Maio de 2005


Depois de Baal HaSulam ter deixado este mundo, Rav Baruch Ashlag salientou sempre que se um homem justo parte e os seus estudantes não estão incomodados, que esquecem a grande pessoa que esteve com eles, eles perdem tudo o que uma vez receberam do seu Professor.

Quando Rav Baruch partiu, ficamos devastados e começamos a aperceber-nos de quantas oportunidades deixamos escapar enquanto ele ainda estava entre nós. Sentimos o peso de oportunidades perdidas durante muito tempo. Rav Laitman apenas começou a recuperar passados dois anos.

Durante essa fase, ele não queria olhar para quaisquer lembranças; não queria quis publicar nada. Essencialmente, encorajei-o a fazê-lo. Não sei bem porquê. Mas, na minha opinião, eu simplesmente queria que ele começasse a dar palestras para que eu pudesse escutar. Porque motivo pensei que iria escutar as suas lições e não as lições de Rav Baruch? Simplesmente pareceu-me que Rav Laitman transmitia o material de uma forma muito interessante. Eu gostava de o escutar, e convenci mais alguns a o fazerem.

Ele não queria nada disto. Costumava chegar ao pé dele e dizer-lhe: "Rav este e aquele estão a vender as suas gravações. Porque não grava algumas lições também?" Então ele começou a expor cartazes e a convidar o publico a palestras. Inicialmente, três pessoas apareciam depois cinco e seis. Foi assim que começou. Pouco a pouco, depois de dois ou três anos de dar todas estas palestras em Tel Aviv, Rav Laitman reuniu um grupo e começou a ensina-los.

Depois, tudo evoluiu muito rápido. Uma vez que Rav Laitman se encarregou conscientemente de certas provações, ele sobressaiu numa certa luz e alguns dos que apareceram começaram a ter dúvidas.

As pessoas acreditavam que um Rav é alguém que tem de se comportar e aparentar de determinada forma. Existe um padrão esperado, e Rav Laitman não encaixava nisto. Era como se ele conscientemente violasse certas normas convencionais; externamente, ele não tentava parecer-se a um santo ou a um homem justo. Ele era até um homem mais vulgar que o Rebbe. Rav Baruch costumava pelo menos vestir-se num adorno religioso. Todavia, Rav Laitman aparecia ao publico como uma pessoa simples e relativamente jovem (ele tinha quarenta e cinco na altura). Estes sujeitos tinham de o aceitar como seu professor, o seu Rav. Eles aceitaram, mas houve um ponto em que começaram a ter grandes dúvidas.

Uma vez disse a alguns deles: "Tudo está nas vossas mãos. Se deixam Rav Laitman partir irão deixar o vosso desejo pela espiritualidade escapar-se e não irão voltar a conseguir aumenta-lo! Depois não haverá ninguém de quem o receber. Não terão nada! Agora, vocês têm completa confiança de que tudo está nas mãos de Rav Laitman, de que ele tem algo a dizer. Tudo o resto é o exterior! Estas dúvida que têm foi-vos provavelmente dada propositadamente!" Recordo-me disto do Rav Baruch. Ele costumava dizer coisas parecidas aos seus estudantes para tentar deliberadamente diminuir a sua homenagem a ele. "Não liguem ao que vos aparenta superficialmente! Concentrem-se no coração da matéria - Rav Laitman tem a corda ao espiritual!"

O Senhor ouviu as minhas orações. Um grupo formou-se que conseguia impedir Rav Laitman de parar de ensinar por completo. Cada pessoa, independentemente do seu nível, tem de sentir que ele é necessário. Sem esta demanda ele não pode quer seja crescer ou transmitir ou criar alguma coisa (uma nova linguagem, por exemplo). Então acontece que alguém tem de saber de onde obter estes pedidos.

Foi assim que, há muitos atrás, um momento perigoso passou quando estudantes não compreendiam que o comportamento externo do Professor não tem de ser consistente com o seu potencial interno além do mais, o seu potencial depende completamente das exigências dos seus discípulos. Eles, como crianças que pedem aos seus pais, evocam a ascensão dos seus pais que podem, em retorno, dar ainda mais de volta às suas crianças.

Este "pedido" era construído muito lentamente. Recordo-me uma vez, em 1994, Rav Laitman convidou-me para dar um passeio. Passeava mos numa floresta onde Rav Baruch costumava passear e Rav Laitman contou-me por entre lágrimas: "Como pode ser? Diz-se que em 1995 tem de alcançar as massas, enquanto eu tenho apenas vinte sujeitos?"

E subitamente, exactamente em 1995, surgiu uma onda de interesse genuíno. Hoje este grupo contem as esperanças de todos, de que irá ser descoberto sem precedentes e forçar Rav Laitman a entrar dentro de si mesmo ainda mais. Catorze anos passaram desde que o Rebbe partiu. Não existe necessidade de esperar mais seis anos como o Rabash fez depois da morte de Baal HaSulam. As pessoas têm de se examinar e encontrar as perguntas, as exigências para o Criador. Hoje, o mundo precisa da luz do Criador! O conhecimento que foi passado através de Rav Laitman a nós e temos de receber essa luz, de que Baal HaSulam falava. E esta luz pode apenas ser recebida através de uma pessoa viva.

Então, deveríamos primeiro pedir sempre que Rav Laitman esteja saudável para que tenha a força para resistir todos os tipos de dificuldades. Em segundo, temos de criar o pedido ao Criador dentro de nós mesmos, não simplesmente ser contentável sabendo tudo o que já está escrito nos livros. Rav Laitman tem de receber a possibilidade de terminar o seu trabalho e nos passar a nós a confiança de que podemos ser entregues. Mas temos de agir rápido! O tempo nos compele.

Pergunta: Está a dizer que agora o grupo significa praticamente tudo?

Bem, não apenas um grupo. Este tem de ser o grupo onde cada pessoa, nas profundezas onde se esconde o seu "Eu", algures no silêncio da sua "casa", saiba que quer trazer a sua alma à correcção.

Eu repito: Na minha opinião, é muito bom se existir um grupo onde todos estudem e se mantenham interessados. Mas do que estou a falar não tem sequer de ser um grupo. Mesmo uma pessoa de determinado nível que desenvolvesse um grande desejo pode trabalhar! O grupo é muito importante. Mas o que pretendo dizer é de que o que importa verdadeiramente é o que cada pessoa do grupo exige dentro de si mesma.

Existe um credo: circulação. É claro que a circulação salvaguarda a situação de Israel e talvez até garanta a sua sobrevivência. Exteriormente circulação directa levará Israel ao ponto em que a sua parte interna irá querer activamente fazer parte deste processo. Porém cada pessoa dentro de si mesma deverá criar a sua necessidade interna, pergunta interna. Esta tem de trabalhar em relação à sua alma. E é isto que tem de fazer para a transmitir.

Pergunta: Chamamos a isto "intenção"?

Intenção, sim. Mas quero dizer que uma pessoa tem de encontrar a sua exigência, o ponto onde ele tem uma disputa com o Criador. Na verdade, todos nós temos o mesmo problema - falta de fé. Fé é a ligação com o Criador. Este contacto é ainda bastante fraco.

Ao longo de três anos, perguntava constantemente a Rav Baruch Shalom: "Como podemos amar o Criador?" Eu era sincera na minha pergunta. Ele costumava responder-me: "Esta é uma recompensa. Uma pessoa deve trabalhar gratuitamente e a recompensa virá."

Penso que o ponto interno de cada pessoa tem um papel muito importante. Cada pessoa, algures no silêncio, tem de encontrar tempo para a sua aspiração pessoal. Isto poderia acontecer durante uma simples conversa. Se esta exigência está presente dentro dele, a exigência ao Rav, ao Criador, então Rav Laitman vai pegar nela.

Estudo e circulação não é tudo. Cada um deve adicionar aspirações individuais; o que Baal HaSulam pretende dizer em "Conhece as Condições de Viver na Ultima Geração." Uma pessoa deve pensar acerca do que precisa de forma a ser como Moshe Rabeinu.

Através do seu grupo, Rav Laitman absorver as necessidades do mundo inteiro. Dentro deste grupo têm de haver pelo menos dez pessoas que contenham o pedido final. Eles estarão prontos a dar toda a sua alma, individualidade e posses e Rav Laitman irá pegar nisto, fazer o seu trabalho e passar a corrente de confiança que é chamada "Fé".

Pergunta: Feiga, de onde vem a sua confiança em Rav Laitman?

Vou-lhe ser muito honesta - simplesmente não havia escolha. Por exemplo, eu tenho ensinado mulheres durante quinze anos. Rav Baruch Shalom deu-me permissão para ensinar enquanto ainda era vivo. Agora há um grupo, muitos sujeitos talentosos, docentes talentosos, tradutores e professores. Pessoas jovens que compreendem isto muito melhor.

Embora, ao mesmo tempo, preciso dos meus para sobreviver. Preciso dos meus filhos e netos para que não tenham de atravessar uma bomba atómica. Preciso para evitar supressão espiritual e física. Preciso de acreditar que há um grupo de pessoas que estão a lutar pela sobrevivência do nosso país tanto no aspecto físico como espiritual. Dizendo "país" pretendo dizer a sobrevivência de Israel e toda a humanidade.

Se não existisse circulação em massa da ciência autêntica da Kabbalah, a sua parte interna, os mais delicados detalhes que encaixam aos principiantes e se nada disto existisse ao nível do grupo, estaria assustada e triste, pensando "Quem se encarregará disto?"

Poderíamos esperar por alguém em vez de Rav Laitman? É preferível utilizar alguém que esteja directamente ligado à corrente inteira de Cabalistas desde os tempos da antiguidade até hoje. Isto simplesmente advém do desespero! Eu vi que Rav Baruch se preocupava profundamente a transmitir tudo ao seu discípulo. Ligo ambas as coisas juntas e vejo que o próximo nesta corrente é Rav Laitman.

Por muitos anos, talvez não tenha enfatizado isto como devia. Isto é porque eu costumava pensar que isto levasse décadas. Há outras pessoas que também fazem muito. Mas vejo agora que estamos a falar especificamente da sobrevivência de cada alma e da humanidade no geral.

Baal HaSulam salientava isto. Hoje já ouvimos as coisas horríveis que nos esperam se não aceitarmos a parte interna da Torah e do governo do mundo nas nossas mãos, se não providenciarmos ao mundo o alcance do objectivo. E a que mãos devemos nos entregar se nos falta o conhecimento das leis ou propriedades do Superior?

Conhecimento em si não significa nada. Conhecimento de como alcançar o derradeiro grau de fé e a mudança do nosso "Eu", amor pelo próximo; isto pode ser-nos transferido através de Rav Laitman. Se o seu grupo o força a isto pelo seu desejo genuíno, então este conhecimento tornar-se-a revelado. Sonhei com isto durante muito tempo.

Pergunta: Isto é interessante: O ARI passou tudo apenas a Chaim Vital, Rav Baruch, praticamente, apenas a Rav Laitman.

...Baal HaSulam, apenas a Rav Baruch Shalom e Baruch Shalom, apenas a Rav Laitman.

Embora na superficie, outro estudante de Rav Baruch, Rav Miller, esteja agora a publicar livros e a circular. Mas estamos a falar acerca da essência interna, acerca do que Rav Laitman recebeu num contacto especial em primeira mão. É isto que precisa verdadeiramente de ser passado. É impressionante como tudo está a acontecer numa só geração, tão rapidamente. Isto indica que os tempos futuros irão mudar ainda mais rapidamente.

A nossa tarefa é de nos assegurarmos que Rav Laitman irá pegar nos nossos pedidos pelo mais alto e possível grau na alma individual para que alcance a sua maturidade.

Baal HaSulam sublinhou que a parte interna da Torah, a ciência da Kabbalah, é intencionada não para o desenvolvimento ou serviço à sociedade, mas para a correcção da alma de cada individuo. Um desenvolvimento correcto da sociedade virá como consequência disto.

Pergunta: Feiga, quão rígido era Rav Baruch para Rav Laitman?

Bem, basicamente, ele costumava gritar com Rav Laitman e Rav Miller. Ele transmitiu tudo através de ambos e gritar com eles era parte disto. Em privado porém, ele era incapaz de ser duro com ele.

Rav Baruch também tinha um feitio muito difícil. É comum pensar que um homem justo é doce e boa pessoa. Mas então ouvimos quão impossível era estar ao pé do ARI, sobre quão difícil era Baal HaSulam como pessoa e Rav Baruch era como um touro, águia, leão e um ser humano fundidos. E depois há Rav Laitman com o seu carácter insuportável e impaciente.

Rav Baruch tratava-o como um filho. Mas isto era quando estavam sozinhos. Ele amava Rav Laitman profundamente. Eu não me recordo de o ver alguma vez discutir com ele. Nunca!

Ele costumava contar-me muito acerca de algumas pessoas e menos acerca de outras. Mas nunca me falava de Rav Laitman, porque o seu discípulo tornou-se uma parte dele. E nunca falamos acerca de nós mesmos!

Pergunta: Há uma parte do Rebbe em Rav Laitman?

Sim, eu penso que Rav Laitman se fundiu completamente no seu professor. Tais são os objectivos da Providência Superior.

Pergunta: Por vezes parece que a aparencia de Rav Laitman se torna parecida.

Sim, ele gradualmente se começa a parecer com o Rebbe. Vocês são jovens! Irão ver Rav Laitman quando fizer oitenta e quatro! Irão ficar mesmo parecidos um com o outro (riso), completamente.

Porém, não esqueça que depois de fazer sessenta, uma pessoa recebe permissão. Pretendo dizer, uma grande pessoa, que tem o que dar e a quem o dar, que ela própria recebeu de alguém era capaz de dar. Então, os dias da vida de tal pessoa são alargados exclusivamente dependendo da necessidade disto. Acontece que a sua vida espiritual e necessidades materiais (refiro-me à acumulação de conhecimento). Estes devem ser puramente necessidades espirituais que se relacionam à nossa correcção pessoal. Isto está em falta. E talvez nos devêssemos concentrar nisto.

Pergunta: A minha próxima geração é ligeiramente de carácter histórico. Quando Rav partiu?

Aconteceu cedo de manhã. Um mês antes disso, Rav Baruch começou a sentir-se mal. Antes, ele costumava mostrar-me: "Olha, consigo subir a correr as escadas e descer." Baal HaSulam sofria de reumatismo crónico. E morreu muito novo, na idade dos "setentas". Todos os irmãos de Rav Baruch Shalom morreram aos sessenta anos. Ele era o filho mais velho de Baal HaSulam, Rav Baruch Shalom, esteve ao nosso lado até ter oitenta e cinco.

Rav Laitman costumava fazer exercícios físicos e ir até à sauna com ele. É extremamente dificil para um grande Rav permitir ao seu discípulo que cuide dele. Entretanto, um discipulo nem sempre reconhece o quão importante isto é. Era-me muito difícil servir a Rav Baruch até uma chávena de chá.

E de repente o declínio começou. Durante esse mês, todos apareciam com os seus problemas e doenças e foi um mês muito difícil. Rav Laitman chamou o nosso médico e verificamos a saude de Rav Baruch. Disseram-nos que ele estava bem.

Foi no Ano Novo. Rav Laitman veio até mim e disse-me: "Talvez devamos pedir a Rav Baruch para não ir rezar em frente à multidão de estudantes de Hassidut? Ele está num estado muito mau." Mas Rav Baruch continuou as suas lições, e fez as coisas como costume.

Na sua ultima semana, ele recitou uma oração para o Novo Mês com a sua pressão arterial de 60 a 40. Subitamente, Rebbe senta-se ao liderar uma oração. Esta era uma oração longa e consumia muita energia. Então, Rav Baruch veio para a refeição. Deu apenas algumas dentadas em cinco minutos e foi ler a segunda oração. Nesta altura conseguíamos ver claramente que ele estava absolutamente exausto. Então Rav Laitman convenceu-o: "Talvez devesses ficar no hospital?"

Ele estava muito relutante. Depois decidimos que ele deveria ficar no hospital, ele ficou muito zangado. Mas, como sabem, ele tinha de levar a cabo a decisão dos seus discípulos e membros da família mais chegados. Nós dissemos-lhe: "Isto é o que deves fazer," e então ele fê-lo. Em todas as matérias corpóreas foi como se ele nos desse, à mulher e estudante que ele via como um filho, uma concessão.

Levamos-o ao hospital e eles perguntaram-lhe: "Onde sente a dor?" Ele respondeu: "Em sitio nenhum. Eles dizem-me que é melhor que me deite." Eles fizeram-lhe um electrocardiograma e colocaram-o no monitor. O doutor disse: "Ele precisa de ficar na sua cama por um dia ou dois. Nada de especial, apenas ficar na sua cama." Para eles, ele era simplesmente uma pessoa idosa.

Vizinhos da mesma ala disseram-nos mais tarde que pelas cinco da manhã, no dia em que ele deixou este mundo, ele se levantou e ajudou os outros pacientes. Às 5:30 eles fizeram-lhe um electrocardiograma. Tudo estava bem ainda. Às dez para as seis Rav Laitman já estava ao pé de sua cama, embora fosse suposto que viesse só mais tarde. As horas de visita começavam às seis. Ele escalou a vedação e de certa forma conseguiu entrar na ala antes das horas de visita.

Eu entrei às cinco para as seis, também por acaso. Por essa altura Rav começou a perder o seu batimento cardíaco e aconteceu especificamente durante aqueles dez minutos. Rav Laitman ainda segurava a sua mão. Rav Baruch virou-se para ele e conseguiu murmurar-lhe algo, apenas a ele. O batimento cardíaco desapareceu. Ele partiu subitamente, no espaço de dez minutos, segurando a mão de Rav Laitman; silenciosamente, em paz, sem dor.

Eu costumava perguntar a Rav Baruch: "Pode um homem justo ser louco? Pode ele ter pensamentos confusos?" Ele sempre me disse: "O verdadeiro vidente nunca recebe pensamentos confusos e nunca é levado a um estado de insanidade." Eu costumava perguntar-lhe como psiquiatra. Ele disse-me: "Precisão de pensamento e claridade de mente são preservadas na verdadeira pessoa até ao final. Caso contrário, deixaríamos de existir por completo."

Pergunta: Que fez Rav Laitman posteriormente?

Eu mantive o meu olho em tudo. É claro, que foi alguma coisa! Embora não pense que fosse mais do que Rav Baruch teve de passar depois da morte de Baal HaSulam. Rav Laitman deve ter passado por este processo inconscientemente.

Este foi porém o processo em que o Criador o colocou para que ele chegasse a determinada percepção, preenchimento e libertação. Eu não considero que ele próprio o tenha feito - ele passou por isto por ordem da Providência Superior. Acredito que ele tenha a mesma opinião. Algo estava a acontecer com ele. Do exterior, era um pouco estranho.

Ele podia ter assumido a pose padrão de uma "grande pessoa" e receber pessoas em fila que o quisessem ver. Ele tinha a capacidade de fazer isto facilmente e literalmente no espaço de uma semana. Todo o público quer alguma espécie de cobertura externa. Rav Laitman tem uma presença. Ele tem uma voz penetrante e é um reconhecido curandeiro. Se ele quisesse podia ter tido multidões para o ver.

Mas ele não fez nada do género. Pelo contrário, Rav Laitman fez tudo para mostrar que ele era como qualquer outra pessoa. Ele apresentou-se propositadamente como um humano normal, vulgar e fraco.

Pergunta: Então por outras palavras ele repudiava todos os que ansiavam pelo externo e atraiu os que.

Talvez possa dizer que sim. Estou-lhe a contar que eu própria não consegui aperceber-me completamente disto. Eu sabia que ele entrava nesse estado conscientemente para se livrar de tudo o que chama as cascas externas do respeito, honra e a habilidade de fazer uma vénia perante algo esperado.

Rav Laitman era, e é, e será guiado pela Providência Superior pelo propósito de trazer o mundo à sua finalização, correcção e avançar para além das fronteiras do tempo e espaço. E, penso, até ele próprio não saiba bem o que está a fazer.

Eu digo-lhe da minha experiência pessoal que devo a Rav Laitman absolutamente tudo. Eu cheguei à compreensão de que todas as coisas negativas que alguma vez recebi dele sob a forma de observações, ou, por vezes, a sua súbita e completa negligência e, até diria, desdém por mim, eventualmente me levou a livrar cada vez mais desta casca mais e mais.

Estou grata a Rav Laitman por me ajudar a livrar desta aspiração externa de honra, e de tomar como exemplo o ter uma atitude de desprezo a tudo o que é externo. Haviam até aquelas pequenas coisas em mim de que não me apercebia, que impediam grandemente o trabalho espiritual.

É muito difícil permanecer simples, ingénua, e livre de qualquer casca. Que combinação! Rav Laitman é um verdadeiro mestre neste respeito. Eu senti-o na sua totalidade "na minha própria pele". E estou grata por cada lição.

É, porém, doloroso quando acontece. Por vezes viria para casa e diria para mim mesma: "Eu não quero viver mais. Eu não compreendo porque Rav Laitman me trata desta forma." Mas mais tarde, ficaria tão feliz por isso! Então obviamente ele sabia o que estava a fazer.

Agora que tudo é percebido com mais clareza, compreensão e análise profunda. E torna-se até duro: você tem de procurar por esta parte interna que não consegue captar, e "da-la" ao Rav. Este trabalho só pode ser feito contra percepções e entendimento egoístas.

Tem de haver sempre alguma inovação. Rav Baruch sublinhou sempre: "Até que seja sempre novo, até que seja sempre novo! Até que algo seja sempre novo!" Temos de utilizar este elemento de novidade a toda a altura. É assim que a Providência Superior trabalha: num momento uno o que era novo torna-se velho e o tempo em si acelera.

Pergunta: O que significa "novo"?

A busca espiritual tem de conter sempre novidade. Não me refiro a novas formas de trabalhar e actualizar a aparência física do material. Tecnicamente haverão lasers, hologramas ou qualquer outra coisa.

As pessoas têm de se renovar dentro de si mesmas! O Rav então pega nesta inovação. Aqui reside uma grande dificuldade; para que cada pessoa não pare internamente, para desejar verdadeiramente e manter sem cessar o seu trabalho individual! É assim que me parece a mim.

Não posso contar mentiras. Há dois anos não seria capaz de dizer coisas assim. Tinha rancor contra Rav Laitman. Não em relação ao seu comportamento. Eu percebi que ele se comportava de certa maneira para transmitir o conhecimento, para atrair estudantes - era obvio. Mas parecia-me que ele não promovia suficientemente o nome de Rav Baruch. Em termos puramente nominativos, parecia-me que o nome de Rav Baruch tinha de aparecer mais. Agora compreendo que ainda não tinha chegado a altura certa. E agora olho, o tempo chegou e Rav Baruch é a primeira pergunta na agenda. Tudo a seu tempo.

Não há dúvida que o público no geral apreende Baal HaSulam muito mais rápido. E quão bem as pessoas compreendem o Rambam! E quão perfeitamente todos compreendem o Ari e Rashbi! Quanto menos eles compreendem, quão mais convencidos estão de que compreendem. Entretanto, para compreender o Rabash uma pessoa tem de estar em determinado nível ou ter completa fé na sabedoria. Isto irá derivar da raiz da alma de uma pessoa. E agora já há centenas de pessoas que são capazes de apreender Rav Baruch Shalom. Estas pessoas, da mesma forma, irão ter uma mais forte necessidade no Rav Laitman também. Irão chegar e levar de Rav Laitman o que é necessário.

Pergunta: O hebraico de Rav Laitman é agora melhor que o de Rav Baruch?

É claro! Ele tem um hebraico excelente e correcto! É mais contemporâneo e muito melhor que o hebraico de Rav Baruch Shalom. Basicamente, é a mesma língua, mas ligeiramente mais limpa e naturalmente mais moderna. Rav Baruch implicava que nós sabiamos o que é o "desejo de doação", e então ele falava acerca de várias coisas, enquanto a nós nos parecia que ele repetia as mesmas coisas. E quando a explicação não inclui apenas a frase em si mas uma explicação do significado das palavras e suas definições, as profundezas infinitas de novo significado se revelam. Rav Laitman faz isto nos seus comentários: ele explica o que ele tem verdadeiramente na mente.

Pergunta: Feiga, como é que o resto dos discípulos de Rav Baruch se relacionam a Rav Laitman?

Quando Rav Laitman serviu Rebbe e costumava vir para casa com ele? Penso que as pessoas tinham atitudes diferentes. Mas não havia escolha. Ele partiu, transmitiu tudo através dele. Antes disso, tudo aconteceu de forma diferente - numa forma padrão e hassidica.

Para além do mais, haviam pessoas que ele trazia. Ele trazia todos eles, ele cuidava deles. Eu estava a caminho de Rav Baruch Ashlag e vi Rav Laitman a arrastar um mini-frigorífico nas suas costas. Perguntei-lhe: "O quê, mais ninguém foi capaz de fazer isto?" "Não. Ele precisa de um frigorífico." Rav Laitman fazia absolutamente tudo por estas quarenta pessoas. E relatava acerca de cada uma delas ao Rebbe. Então, ele era de certa forma um elo de ligação. Todos se relacionavam a ele como, provavelmente, uma das curiosidades de Rav Baruch. Eles deviam, na verdade, estar gratos, mas só conseguiam ver a superfície.

Rav Laitman começou a abandonar todos os atributos hassidicos externos ao nível comportamental e era isto que eles viam. Eles não compreendiam o que fazer com isto: sentar calmamente, sair, ficar ali? Eles estavam desesperados, porque eles viviam e receberam tudo de Rav Baruch. Rav Baruch levou-os e usou-os para o desenvolvimento e descrição do método. E então ele não era capaz de lhes dar mais nada e basicamente deixou-os.

Pergunta: Então essencialmente eles levaram toda a energia do Rav Baruch?

Sim, ele, falando sem rodeios, usou apenas os seus estudantes. Mas isto é fantástico! Como dizem, a coisa mais importante é nas mãos de quem se está. Ele usou-os, fez o que era necessário e depois deixou-os por si mesmos. Se é capaz de se elevar, força nisso. Se não então por agora é suficiente.

Então, estes discipulos viram uma ligeira discrepância no caminho. Rav Baruch Shalom sempre salientou que não havia necessidade de movimento dirigido ao exterior. Eles interpretaram isto à sua maneira: que cada pessoa tem de observar os detalhes externos. Muitos deles então adornaram-se de vestes ortodoxas.

Ao trabalhar no seu ultimo artigo, Rav Baruch disse: "Vou escrever-lhes algo acerca da veste: se uma pessoa não adere ao trabalho interno, deve então pelo menos manter-se dentro dos limites externos." Esta foi a ultima coisa que lhes disse.

Assim como, na ultima semana da sua vida Rav Baruch cantava a toda a hora: "Meu coração transbordava de matéria divina. Meu trabalho diz respeito a um rei" (Salmo 45). Ele cantava-o por alguma razão.

No geral, ele era um excelente cantor e estudava canto. Ele era um excelente cantor e cantava as melodias de Baal HaSulam. Rav Laitman, durante os seus primeiros anos com Rav Baruch costumava leva-lo ao professor de canto. Quando iam com Rav Laitman para Tiberias, Rav Laitman costumava conduzir e Rav Baruch costumava cantar, exercitando as suas cordas vocais. Rav Laitman recebeu tanto ao acompanha-lo durante estas viagens. Ele costumava fazer perguntas muito complicadas. E Rav Baruch dizia-lhe sempre: "Uma vez que ainda não compreendes nada, Eu posso dizer-te muito." E então ele responder-lhe-ia a todos os níveis.

E então esse grupo, eu diria, não chegou ao topo. Porém, eu respeito-os imenso, e amo-os muito, cada um deles. Eles passaram por muito. Tenho pena de que não estejam aqui com Rav Laitman. É uma verdadeira pena.

Artigo Original:
Talks: I Believe in Rav Laitman - Recollections of Feiga Ashlag, the Widow of the Late Rav Baruch Ashlag - May 2005
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